Sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Política

"Não conseguimos o impeachment desse governo, mas vamos ultrapassá-lo", diz Jandira Feghali

À Rádio Metropole, deputada federal lamentou desmonte promovido pela gestão de Jair Bolsonaro, sobretudo com avanço do desemprego e da fome

"Não conseguimos o impeachment desse governo, mas vamos ultrapassá-lo", diz  Jandira Feghali

Foto: Reprodução/YouTube/Rádio Metropole

Por: Alexandre Santos no dia 06 de dezembro de 2021 às 09:10

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou nesta segunda-feira (6) jamais esperar que o Brasil chegasse ao patamar da crise atual, marcada pelo desmonte em diferentes áreas e agravada sobretudo pela avanço da fome, em meio a uma pandemia com saldo até agora de 615 mil mortos. Líder da minoria na Câmara, ela lamentou em entrevista à Rádio Metropole que o governo Bolsonaro não tenha sido alvo de um processo de impeachment.

"Depois de tantos anos no Parlamento brasileiro, na militância partidária, eu lhe digo que eu nunca imaginei que nós fôssemos passar por tudo isso que nós estamos passando depois de tanta luta. Depois de tanto trabalho, de tanta construção, de tanta dedicação, enfim, que as forças democráticas desse país tiveram pra chegar a uma democracia obviamente não plena, nós sabemos disso. Uma democracia de baixa intensidade ainda", declarou Jandira ao apresentador Mário Kertész. 

"Mas eu lhe diria que eu não parecia que chegássemos a uma situação tão difícil, de tanta desconstrução, de tantos ataques à Constituição brasileira. Um desemprego tão absurdo, das pessoas passando fome no nível que nós estamos chegando agora. De um ataque tão grande à ciência, à cultura, à saúde brasileira, uma coisa tão desumana, tão distante do que o povo precisa. De tanto desprezo pela vida. De tão pouco conhecimento da história do Brasil, da história do nosso povo", acrescentou a deputada.

Apesar do retrocesso no qual o país submergiu, a parlamentar comunista se diz otimista quanto a uma mudança de paradigma a partir das eleições de 2022. "Penso que nós vamos passar por isso. O que nos anima é saber que isso é uma transição, é um período curto. Há uma resistência nos estados, há uma resistência nas cidades, e nós vamos passar por isso, espero, que bastante rápido. Nós não conseguimos fazer o impeachment desse governo, mas espero que nas eleições a gente consiga ultrapassá-lo", afirmou.

Questionada por Mário Kertész sobre o comportamento do Congresso — permissivo aos ataques de Bolsonaro à democracia e ao mesmo tempo alinhado a pautas de seu interesse —, a deputada afirma que as pessoas tendem a esquecer o Legislativo. "Numa eleição nacional, em que o presidente da República está sendo eleito, e isso sempre chama mais atenção das pessoas do que qualquer outra coisa, é natural, principalmente na última eleição. Na última eleição nós perdemos muito numa guerra cultural, numa guerra de valores. Numa guerra em que a comunicação foi usada de forma ilegal e milionária." 

"Eu estive aí, na última quinta-feira, convidada pela deputada Alice Portugal, para debater saúde, pelo meu partido, o PCdoB, e eu terminei o debate exatamente discutindo isso, que as pessoas ficassem muito atentas à eleição de deputado federal. Porque o presidente da República precisa muito do Congresso, e o Congresso Nacional decide muita coisa. Decide o salário mínimo, o orçamento do país. Se vai ter casa popular, se não vai ter. Ele decide o SUS, se vai ter dinheiro pra vacina, a lei trabalhista", afirmou Jandira Feghali.

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