
Política
"Derrotar Bolsonaro não basta. Tem que derrotá-lo com uma vantagem que o constranja", diz jornalista Ricardo Noblat
Jornalista chama a atenção para o risco do presidente Jair Bolsonaro (PL) atentar contra o resultado da eleição presidencial, em caso de derrota

Foto: Reprodução - Rádio Metropole
Com mais de 40 anos de experiência na cobertura política, o jornalista Ricardo Noblat avaliou que daqui até outubro, quando ocorrerão as eleições presidenciais, as ações políticas do presidente Jair Bolsonaro (PL) devem piorar, em termo de ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições democráticas.
"Derrotar Bolsonaro não basta. Tem que derrotá-lo com uma vantagem de votos que tornem improvável que faça alguma coisa. Uma margem de votos que constranjam ele e as Forças Armadas de se levantarem contra o resultado da eleição. Se for uma vitória apertada, não tenha dúvida que ele vai estimular a revolta da sua turma", disse o jornalista, em entrevista nesta sexta-feira (22) a Mário Kerétsz, na Rádio Metropole.
O jornalista, atualmente no site Metrópoles, de Brasília, também falou sobre a terceira via e a polarização envolvendo Lula x Bolsonaro. "Essa polarização sempre existiu. Se você for num pequeno município da Bahia, ou de Pernambuco, vai ver essa disputa entre oposição e situação. A eleição mais polarizada do país, desde de redemocratização, foi a eleição de 2006, entre Lula e Geraldo Alckimin. Os dois juntos, no primeiro turno, tiveram algo em torno de 90% dos votos válidos. Nunca tivemos uma eleição tão polarizada como essa. Essa barulheira que vemos hoje decorre de um incômodo anti-PT e anti-Bolsonaro. Quem não quer votar em nenhum dos dois, fica órfão. E ficam buscando a terceria via", diz.
Noblat também chamou a atenção que, desde que a reeleição foi introduzida no país, em 1998, com Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quem está na Presidência disputa o segundo turno, saindo vitorioso. "A novidade seria um presidente disputar a reeleição e perder. Então, será uma eleição disputada, repleta de conflitos. E pode acontecer qualquer coisa... Vamos acompanhar o que pode acontecer", disse.
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