Quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Política

Escolha de general como vice sinaliza propósito de Bolsonaro após outubro, analisa cientista político

Felipe Nunes avaliou ainda que as ameaças golpistas do presidente Jair Bolsonaro e seus filhos são um "desastre" do ponto de vista eleitoral

Escolha de general como vice sinaliza propósito de Bolsonaro após outubro, analisa cientista político

Foto: Reprodução/Radio Metrópole

Por: Rodrigo Daniel Silva no dia 30 de junho de 2022 às 12:50

O cientista político e diretor do instituto Genial/Quaest, Felipe Nunes, avaliou, em entrevista à Rádio Metropole, que o presidente Jair Bolsonaro (PL) ao escolher o general Braga Netto como o seu vice para disputar à reeleição, pensa no pós-eleição.

"Por que eu acredito que, pelo menos, uma parte das Forças Armadas estaria com Bolsonaro em um processo de tensionamento institucional, de tentativa de ruptura? Porque o Bolsonaro hoje tinha uma escolha clara para fazer. Se ele tivesse pensando em ganhar a eleição, só, eu acho que teria muito mais incentivos para escolher Tereza Cristina como vice do que o Braga Netto. O Braga Netto, para mim, é uma demonstração do Bolsonaro de que ele não só está pensando só na eleição, está pensando no pós eleição. É uma escolha de xadrez. Tudo isso coloca o nosso processo eleitoral sob altíssimo grau de tensionamento", disse, em entrevista a Mario Kertész.

O cientista político analisou ainda que as ameaças golpistas do presidente Jair Bolsonaro e seus filhos são um "desastre" do ponto de vista eleitoral.

"Bolsonaro e seu grupo político tensionam as instituições, sempre. Esse tensionamento tem efeitos eleitorais, e tem efeitos políticos. Efeito político é colocar as instituições em alerta. Há uma preocupação generalizada. Do ponto de vista eleitoral, é um desastre para o próprio presidente. Por quê? Para que o Bolsonaro consiga reverter hoje essa desvantagem, ele vai ter que conseguir votos para além do seu eleitor. Hoje, o eleitor bolsonarista-raiz está em 25%. É o fã clube de Bolsonaro. Mas isso não é suficiente para ganhar a eleição. Ele vai ter que falar com o centro. Para fazer isso, ele não pode tensionar com as instituições, porque o eleitor do centro todas as vezes que ver Bolsonaro fazendo isso se afasta dele", ponderou.

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