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Política

Viana nega irregularidades e diz que irá explicar a Dino repasse de emendas

Declaração é feita após ministro determinar que Viana e Senado expliquem envio de R$ 3,6 milhões via 'emendas PIX' para fundação da Lagoinha

Viana nega irregularidades e diz que irá explicar a Dino repasse de emendas

Foto: Carlos Moura/Agência Senado | Gustavo Moreno/STF

Por: Metro1 no dia 19 de março de 2026 às 14:28

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), negou nesta quinta-feira (19) irregularidades e afirmou que irá explicar o repasse de R$ 3,6 milhões à Fundação Oasis, entidade descrita pelos parlamentares como braço social da Igreja Batista da Lagoinha, que tem integrante alvo de apuração na CPMI. A declaração é feita após o ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal (STF) determinar prazo de cinco dias úteis para que Viana e o Senado explicassem sobre o repasse por meio de emenda parlamentar.

"Eu sou uma pessoa pública. Todas as minhas ações são passíveis de questionamentos e eu tenho a obrigação de responder e o farei com a maior tranquilidade, porque não há qualquer irregularidade na minha atuação", declarou.

Segundo o senador, o recurso foi repassado para prefeituras que elaboram planos de trabalhos e distribuem os repasses. As informações, de acordo com ele, constam em prestações de contas realizadas. "A igreja não recebeu um tostão. Foi para as prefeituras. As prefeituras aprovaram planos de trabalho e repassaram os recursos", disse. Viana afirmou que o dinheiro foi direcionado para projetos sociais que atendem asilos e prestam auxílio a dependentes químicos e pessoas em situação de rua.

De acordo com a determinação de Flávio Dino, os repasses teriam ocorrido em três momentos:

  • R$ 1,5 milhão (2019): emenda Pix à Prefeitura de Belo Horizonte com destino carimbado à Fundação Oasis;
  • R$ 1,47 milhão (2023): repasse à Fundação Oasis de Capim Branco (região metropolitana de BH);
  • R$ 650,9 mil (2025): novo repasse à filial de Capim Branco.

O presidente da CPMI declarou não ter "medo algum" de possíveis investigações e que seguirá direcionando os recursos para os projetos sociais. "Vamos responder e com toda tranquilidade nós vamos deixar claro o que está acontecendo", afirmou. Ele disse ainda ser integrante da Lagoinha e ter atuado como apresentador em um canal de igreja. "Antes que isso venha a ser questionado, eu já estou dizendo para vocês: fui apresentador, é a minha profissão. Só não dei sequência porque eu não tinha tempo."

Entenda
A Igreja Batista da Lagoinha é citada no Caso do Banco Master — de Daniel Vorcaro — por causa da ligação entre seu ex-pastor Fabiano Zettel e o banqueiro, que é  investigado por fraudes financeiras bilionárias. Zettel, que é cunhado de Vorcaro, é apontado pela PF como operador financeiro e figura central do esquema.

Ainda nesta quinta-feira, durante reunião da CPMI, o presidente da comissão declarou que Zettel mantinha CNPJs separados, sem ligação direta com a igreja. "Está claro que o senhor Fabiano Zettel usava o nome da Igreja Batista da Lagoinha, mas tinha um CNPJ separado, toda uma prestação de contas separada e não há qualquer contaminação com a Igreja Lagoinha Matriz, porque não foi identificada nenhuma ligação", explicou.