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MP do Rio denuncia deputado federal por lavagem de dinheiro em esquema de Adriano da Nóbrega

Política

MP do Rio denuncia deputado federal por lavagem de dinheiro em esquema de Adriano da Nóbrega

Investigação aponta compra de imóveis e esquema com empresas de fachada

MP do Rio denuncia deputado federal por lavagem de dinheiro em esquema de Adriano da Nóbrega

Foto: Divulgação

Por: Metro1 no dia 19 de março de 2026 às 14:28

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou denúncia contra 19 pessoas por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à milícia e à exploração do jogo do bicho na capital fluminense associado ao contraventor Adriano de Nobrega. Entre os citados está o deputado federal Rogério Teixeira Júnior, conhecido como Juninho do Pneu (União Brasil).

A ação faz parte da Operação Legado, deflagrada nesta quinta-feira (19), que também cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão autorizados pela Justiça. O parlamentar, no entanto, não foi alvo das diligências.

Segundo as investigações, uma das frentes do esquema envolve a negociação de imóveis que pertenciam ao miliciano Adriano da Nóbrega, morto em 2021. As propriedades, avaliadas em cerca de R$ 3,5 milhões, estariam registradas em nome de terceiros e foram vendidas após a morte dele.

De acordo com o MP, a viúva de Adriano, Julia Lotufo, teria conduzido a venda ao deputado, mesmo com o patrimônio já sob suspeita das autoridades.

Outro eixo da investigação aponta a lavagem de recursos obtidos com o jogo do bicho, especialmente na Zona Sul do Rio, com atuação em áreas como Copacabana. O grupo utilizaria empresas de fachada para movimentar valores ilícitos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

Entre os estabelecimentos identificados estão negócios como bar, restaurante, depósito de bebidas e até um quiosque em shopping, que movimentou cerca de R$ 2 milhões em poucos meses. A análise inicial de quatro empresas indicou transações superiores a R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano.

O Ministério Público também afirma que a organização criminosa seguiu operando após a morte de Adriano da Nóbrega. Segundo os promotores, Julia Lotufo teria assumido papel central na gestão financeira do grupo, ampliando as atividades ilegais, que incluem agiotagem, contravenção e operações no setor imobiliário.

Ainda conforme o MPRJ, o Ministério Público Federal foi consultado sobre possível foro privilegiado, mas entendeu que o caso não tem relação direta com o mandato parlamentar, mantendo a investigação na esfera estadual.

As defesas dos envolvidos não haviam se manifestado até a última atualização.