
Política
PF: Empresa de Vorcaro ofereceu jatinho e helicóptero para pagar contrato com esposa de Moraes
Documento encontrado no celular do ex-banqueiro previa pagamento em dinheiro, imóveis, bens ou serviços; proposta também envolvia cotas de um jatinho e um helicóptero

Foto: Antonio Augusto/Secom
Um jatinho e um helicóptero foram incluídos em uma proposta de pagamento de um segundo contrato de até R$ 50 milhões firmado entre uma empresa ligada a Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O acordo foi identificado pela Polícia Federal em documentos encontrados durante as investigações sobre o Banco Master. Datado de 12 de maio de 2025, o contrato foi firmado entre o escritório Barci de Moraes e a Viking Participações Ltda., empresa da qual Vorcaro é sócio.
O arquivo foi localizado em mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e o advogado Leonardo Palhares, que trabalhava para ele. O material integra o relatório da PF encaminhado ao STF e tornado público nesta terça-feira (1º), após decisão do ministro André Mendonça.
Aeronaves entraram na proposta de pagamento
Dias depois da assinatura do contrato, em 16 de maio de 2025, Leonardo Palhares apresentou a Vorcaro alternativas para a quitação do acordo.
Uma das propostas previa que R$ 40 milhões fossem pagos por meio da transferência de cotas relacionadas a duas aeronaves: um jatinho e um helicóptero. Os outros R$ 10 milhões corresponderiam ao reembolso de despesas relacionadas ao uso dos equipamentos.
Segundo a Polícia Federal, os ativos estavam ligados às empresas F24, responsável por uma aeronave Legacy 650, de prefixo PP-NLR, e F53, que estava em processo de aquisição de um helicóptero EC 155 B1, fabricado pela Airbus Helicopters.
As duas empresas faziam parte da estrutura da Prime, companhia que tinha Vorcaro entre os sócios.
Uma das alternativas discutidas previa a transferência das aeronaves com possibilidade de recompra futura. Vorcaro, no entanto, rejeitou essa opção. “Opçao 1 não é o negócio”, escreveu o empresário. Na sequência, afirmou: “Os ativos são deles... já”.
Em outra troca de mensagens analisada pelos investigadores, um sócio de Vorcaro identificado como Marcos informou ao banqueiro que as aeronaves já eram utilizadas por Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes.
Os documentos divulgados, porém, não permitem concluir se a transferência dos ativos chegou a ser efetivamente realizada. Também não há, segundo a apuração, registros na Junta Comercial de São Paulo que comprovem a transferência das cotas das empresas proprietárias das aeronaves.
Segundo contrato identificado
O acordo de R$ 50 milhões é diferente do contrato de aproximadamente R$ 131 milhões já conhecido entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes. O novo documento previa a prestação de serviços advocatícios e consultoria nas áreas administrativa, tributária e trabalhista, além de atuação em inquéritos civis e criminais do Ministério Público e processos judiciais.
O pagamento deveria ocorrer ao longo de 36 meses e poderia ser feito por transferência bancária ou “mediante dação em pagamento – de bens imóveis, móveis ou serviços”, conforme o contrato localizado pela Polícia Federal.
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