Política
Delação liga dinheiro de Vorcaro a fundo de advogado de Eduardo Bolsonaro e ao filme Dark Horse

Sugestão será apresentada a Edson Fachin em meio à crise entre integrantes da Corte e a Polícia Federal envolvendo investigações relatadas por André Mendonça

Foto: Luiz Silveira/STF
O ministro Gilmar Mendes propôs ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que delegados da Polícia Federal deixem de atuar nos gabinetes dos ministros da Corte. A sugestão será reforçada em uma reunião entre os dois, segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo e confirmadas pela CNN Brasil.
A proposta surge em meio ao agravamento das tensões entre o STF e a cúpula da Polícia Federal. Atualmente, dois delegados trabalham no gabinete do ministro André Mendonça. Outros dois estão lotados nos gabinetes de Alexandre de Moraes e Luiz Fux.
Na avaliação de Gilmar Mendes, a presença de delegados da PF nos gabinetes dos magistrados pode provocar sucessivas crises e interferir no andamento das investigações conduzidas pela corporação.
A preocupação do decano ganhou força durante os atritos entre André Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Crise envolve caso Master
A tensão aumentou nos últimos dias após Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master, determinar o levantamento do sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento expôs diálogos entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em um suposto esquema de fraude financeira bilionária.
Entre as mensagens reveladas está uma enviada por Vorcaro a Moraes em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua primeira prisão. “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu o ex-banqueiro.
Mendonça concentra atualmente algumas das investigações de maior repercussão política e eleitoral em tramitação no Supremo. Além do inquérito sobre fraudes em descontos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o ministro relata duas das três novas investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Entre elas estão a apuração relacionada ao Banco Master e o inquérito que investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De um lado, a direção da Polícia Federal reclama de interferências na condução das investigações. Do outro, o gabinete de Mendonça aponta demora da corporação no andamento de apurações sob sua relatoria.
O desconforto também aumentou após Daniel Vorcaro ser ouvido, na semana passada, por um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, na presença de um representante da Procuradoria-Geral da República (PGR). No depoimento, o ex-banqueiro afirmou que a blindagem a um diretor da Polícia Federal teria impedido uma delação.
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