
Política
Delação liga dinheiro de Vorcaro a fundo de advogado de Eduardo Bolsonaro e ao filme Dark Horse
Segundo o Estadão, empresário Antônio Carlos Freixo Júnior afirmou à PGR que recursos enviados ao exterior a pedido de Flávio Bolsonaro tinham origem em valores mantidos por Daniel Vorcaro

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior afirmou, em acordo de delação premiada, que os recursos enviados a um fundo sediado no Texas e administrado por um advogado de Eduardo Bolsonaro tiveram origem em valores pertencentes ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo informações divulgadas pelo Estadão por Fausto Macedo, Freixo Júnior relatou que mantinha com Vorcaro uma espécie de conta conjunta utilizada para realizar pagamentos solicitados pelo dono do Banco Master. Entre essas operações estariam os repasses destinados ao fundo Havengate.
Os pagamentos teriam sido solicitados inicialmente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Vorcaro para financiar a produção do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Freixo Júnior entregou aos investigadores documentos e comprovantes das operações de câmbio usadas para transferir os recursos ao exterior. O material poderá ajudar na apuração de suspeitas de evasão de divisas relacionadas aos pagamentos.
Rota do dinheiro
O depoimento também reforça suspeitas levantadas anteriormente por técnicos do Banco Central sobre um fluxo considerado atípico de recursos ligados à Entrepay, empresa que integra o conglomerado Entre Investimentos.
De acordo com a apuração, os valores deixavam o Brasil, passavam pelas Bahamas e chegavam ao Texas, nos Estados Unidos. A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central em março deste ano.
Freixo Júnior, apontado como operador financeiro de Vorcaro, fechou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.
O acordo foi encaminhado na semana passada ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado marcou para a próxima terça-feira (8) uma audiência para verificar a voluntariedade da colaboração.
Caso esse requisito seja confirmado, a delação poderá ser homologada e passar a ter validade jurídica como meio de prova.
Pedido de Flávio Bolsonaro
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro e divulgadas em maio pelo Intercept Brasil indicaram que Flávio Bolsonaro pediu, em 2025, US$ 24 milhões ao banqueiro para custear a produção de Dark Horse.
As conversas apontam que ao menos US$ 10,6 milhões foram efetivamente pagos, valor que correspondia, na época, a cerca de R$ 61 milhões.
Posteriormente, segundo a apuração, Flávio indicou a conta do fundo Havengate para o recebimento dos recursos. O fundo fica no Texas e é administrado por um advogado de Eduardo Bolsonaro.
Nas mensagens, Vorcaro indicava que os pagamentos seriam realizados por meio da Entre Investimentos, empresa comandada por Freixo Júnior. Comprovantes encontrados no celular do banqueiro também apontariam para esse caminho nas transferências.
A Polícia Federal abriu um inquérito, autorizado por André Mendonça, para investigar possíveis crimes relacionados aos pagamentos e apurar se os recursos foram utilizados para custear despesas da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Em seus depoimentos, Freixo Júnior afirmou que não sabia qual seria a destinação final do dinheiro. Segundo ele, sua atuação se limitou a cumprir ordens de Vorcaro.
O empresário, porém, declarou aos investigadores que os valores utilizados nas transferências para o Havengate tinham como origem recursos de Daniel Vorcaro.
A defesa de Freixo Júnior e a campanha de Flávio Bolsonaro foram procuradas, mas não se manifestaram.
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