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Vorcaro diz em delação que doações a Bolsonaro e Tarcísio foram propina negociada com Kassab

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Vorcaro diz em delação que doações a Bolsonaro e Tarcísio foram propina negociada com Kassab

Segundo reportagem de Fábio Serapião, do UOL, ex-banqueiro afirma que R$ 5 milhões destinados às campanhas de 2022 estariam ligados a um suposto acordo para manter o Credcesta no governo paulista

Vorcaro diz em delação que doações a Bolsonaro e Tarcísio foram propina negociada com Kassab

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Divulgação

Por: Metro1 no dia 03 de setembro de 2026 às 16:58

Atualizado: no dia 03 de setembro de 2026 às 17:30

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em sua proposta de delação premiada, que R$ 5 milhões doados às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 teriam sido parte de uma negociação de propina relacionada à manutenção do Credcesta no Governo de São Paulo. As informações foram reveladas em reportagem de Fábio Serapião, do UOL, nesta quinta-feira (3). 

As doações foram feitas formalmente por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero. Do total, R$ 3 milhões foram destinados à campanha de reeleição de Bolsonaro e R$ 2 milhões à candidatura de Tarcísio ao governo paulista.

Na versão apresentada por Vorcaro, os pagamentos seriam “contrapartidas financeiras” decorrentes de um “ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”.

O relato consta nas três versões da proposta de colaboração apresentadas pelo ex-banqueiro às autoridades. Até agora, porém, os acordos foram recusados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o argumento de que faltariam informações inéditas e elementos que corroborassem as declarações.

Negociação teria envolvido Kassab

Segundo Vorcaro, a articulação para manter o Credcesta no governo paulista começou após a eleição de 2022, quando Augusto Lima, responsável pela operação do produto dentro do grupo, buscou garantir a continuidade do negócio na nova gestão.

“Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo”, diz trecho da delação.

Vorcaro afirmou ter sido informado por Augusto Lima sobre um suposto “ajuste indevido” com Gilberto Kassab. À época, Kassab apoiava Tarcísio e, após a vitória do governador, assumiu a Secretaria de Governo de São Paulo.

Ainda segundo a versão apresentada pelo ex-banqueiro, o acordo previa o pagamento de 5% do resultado líquido da operação do Credcesta em São Paulo, além da destinação de recursos para campanhas eleitorais de partidos ligados ao grupo político de Kassab.

“O pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado integralmente em dinheiro. Todavia, Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas, que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais”, afirma outro trecho da proposta.

Além dos R$ 5 milhões repassados oficialmente às campanhas de Bolsonaro e Tarcísio, Vorcaro também relatou uma suposta previsão de cerca de R$ 10 milhões em pagamentos informais, em espécie, a pessoas interpostas ligadas a Kassab.

Segundo o ex-banqueiro, o dinheiro teria sido entregue por Thiago Botelho, conhecido como Papel, e seria destinado a campanhas do PSD.

Doações foram feitas por cunhado

Na proposta de delação, Vorcaro afirmou que acionou Fabiano Zettel para realizar as doações oficiais destinadas a Bolsonaro e Tarcísio.

“Isso ocorreu por solicitação de Augusto Lima, que informou ao Colaborador que sua relação próxima com políticos do Partido dos Trabalhadores (PT) o impedia de doar oficialmente a adversários”, diz trecho da delação.

Vorcaro sustentou que Zettel não conhecia as supostas motivações por trás dos pagamentos. Segundo o relato, o cunhado aceitou realizar os repasses por ter interesses ideológicos semelhantes aos dos candidatos e utilizar valores provenientes de negócios que mantinha com o banqueiro.

O Credcesta é um cartão de crédito consignado operado pela PKL One Participações, empresa associada ao Master e ligada a familiares de Augusto Lima.

A operação passou a funcionar em São Paulo em 2022 e se tornou um dos principais negócios do grupo de Vorcaro. Segundo a proposta de delação, a continuidade e a expansão do produto em diferentes estados dependeriam do pagamento de vantagens a políticos e intermediários locais.

Vorcaro afirmou ainda que as contrapartidas previstas no suposto acordo foram cumpridas e que o Credcesta permaneceu ligado ao governo paulista por mais de um ano. A situação mudou em dezembro de 2024, quando Tarcísio editou um decreto ampliando o mercado de crédito consignado para outras instituições.

Tarcísio e Kassab negam

Em nota, Tarcísio afirmou que nunca teve contato ou relação com Daniel Vorcaro e disse não ter conhecimento dos fatos relatados. O governador também declarou que sua campanha de 2022 contou com mais de 600 doadores e que a prestação de contas foi apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral.

Kassab classificou o relato de Vorcaro como “absolutamente fantasioso” e sem “qualquer sustentação factual”. Ele afirmou que nunca tratou de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro e negou ter recebido valores em espécie.

“Não participei ou recebi nenhuma doação de Vorcaro, de Lima, ou Botelho. Nunca recebi valores em espécie. São relatos que desconheço a origem e que não têm qualquer sustentação factual”, afirmou.

Procurado, Augusto Lima informou que não comentaria o caso.