
Política
STF deve receber até 21 de setembro informações sobre crise entre Moraes e Mendonça
Dados solicitados pelo presidente da Corte, Edson Fachin, podem influenciar os próximos passos diante das suspeitas envolvendo os dois ministros

Foto: LUIZ SILVEIRA/STF
As informações solicitadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre a crise envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça deverão ser apresentadas até o dia 21 de setembro. A confirmação foi feita nesta terça-feira (8) pela assessoria da Corte.
Os esclarecimentos podem influenciar as próximas medidas a serem adotadas por Fachin e serão entregues às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial.
Nos bastidores do Supremo, uma ala defende que uma eventual decisão sobre a abertura de investigação contra Moraes e Mendonça fique para depois das eleições. A posição é sustentada, principalmente, por ministros mais próximos de Alexandre de Moraes.
Integrantes da Corte ouvidos sob reserva avaliam que as manifestações realizadas no 7 de Setembro, marcadas por críticas a Moraes e demonstrações de apoio a Mendonça, reforçaram o caráter eleitoral que o caso passou a ter.
Casos podem ser analisados em conjunto
Ministros do STF também defendem que os episódios envolvendo Moraes e Mendonça tenham uma tramitação conjunta.
Auxiliares de Fachin afirmam que o presidente ainda não tomou uma decisão sobre quais medidas adotará. No entanto, consideram que os fatos relacionados a Moraes, vice-presidente da Corte, são graves e exigem uma resposta do tribunal.
A avaliação no entorno do presidente é de que o STF não poderia simplesmente ignorar as suspeitas levantadas. Fachin tem afirmado que tomará as providências necessárias no momento que considerar adequado.
Alexandre de Moraes ainda não se manifestou publicamente sobre o caso.
Fachin estabeleceu dois cronogramas para o recebimento das informações.
Relatório da PF sobre mensagens de Vorcaro
Até 14 de setembro, poderão se manifestar o ministro André Mendonça, Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral afastado da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Entre os questionamentos apresentados por Fachin está a observância das regras para investigações que envolvem pessoas com foro privilegiado no Supremo.
O presidente da Corte também questionou se houve acesso indevido ao relatório sigiloso da Polícia Federal sobre Moraes, diante da possibilidade de vazamento de informações.
Pedido de investigação contra Mendonça
O segundo prazo está relacionado ao pedido de investigação feito a partir de um relatório de inteligência sem valor probatório.
Moraes apontou que o material indicaria possíveis casos de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento de determinados grupos políticos na atuação de Mendonça como relator dos casos envolvendo o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A Procuradoria-Geral da República deverá se manifestar sobre diferentes pontos, incluindo a legalidade do material utilizado.
Depois da manifestação da PGR, Mendonça terá, caso queira prestar esclarecimentos, até 21 de setembro para apresentar as informações solicitadas.
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