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Produtora de ‘Dark Horse’ pagou R$ 102 mil em dinheiro por SUV híbrido

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Produtora de ‘Dark Horse’ pagou R$ 102 mil em dinheiro por SUV híbrido

Compra feita por Karina Gama em janeiro de 2025 foi comunicada ao Coaf; decisão de Flávio Dino registra ainda que veículo tinha valor de R$ 184,8 mil na Tabela Fipe

Produtora de ‘Dark Horse’ pagou R$ 102 mil em dinheiro por SUV híbrido

Foto: Reprodução

Por: Metro1 no dia 10 de setembro de 2026 às 16:54

Atualizado: no dia 10 de setembro de 2026 às 17:13

A produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pela empresa Go Up Entertainment, que produz o filme Dark Horse, comprou um SUV híbrido por R$ 102.190 em dinheiro vivo em janeiro de 2025. A operação foi comunicada ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por ter sido quitada integralmente em espécie.

A compra ocorreu em 13 de janeiro de 2025, na concessionária BYD Dahruj, em São Paulo. O veículo adquirido foi um BYD Song Plus 1.5 16V automático híbrido, modelo 2025.

A informação consta na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou medidas da Polícia Federal (PF) no âmbito da investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos e pessoas ligadas ao filme.

Segundo o documento, a transação foi comunicada ao Coaf justamente porque o pagamento foi feito com “valores totais em espécie”. A comunicação de uma operação financeira ao órgão, por si só, não significa que tenha ocorrido crime.

Diferença em relação à Tabela Fipe

A decisão também registra que o veículo tinha valor de R$ 184.858 na Tabela Fipe. A diferença entre a referência de mercado e o valor informado como pago por Karina é de R$ 82.668.

O despacho de Dino, porém, não apresenta uma explicação para a diferença. Os dois valores são apenas registrados no contexto da análise das movimentações financeiras relacionadas à investigada.

O pagamento em espécie chamou atenção no contexto da apuração porque transações envolvendo grandes quantias em dinheiro podem ser comunicadas ao Coaf conforme as regras de controle financeiro. A comunicação obrigatória, contudo, não constitui, isoladamente, indício de prática criminosa.

Relação com o caso Dark Horse

Karina Gama é sócia da Go Up Entertainment Ltda., empresa apontada na investigação como responsável pela produção de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Ela também aparece na decisão de Dino como presidente do Instituto Conhecimento Brasil (ICB) e da Associação Nacional de Cultura (ANC).

O ICB recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas pelo então deputado federal Mário Frias (PL-SP). A investigação da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) busca esclarecer a destinação desses recursos e as relações financeiras entre pessoas e empresas ligadas ao caso.

De acordo com a decisão, a Go Up também recebeu recursos de pessoas e empresas relacionadas ao núcleo investigado. Para os investigadores, as movimentações podem indicar uma “possível integração patrimonial e operacional” entre a produtora e entidades beneficiadas por emendas parlamentares.

A operação deflagrada nesta quinta-feira (10) foi batizada de Make Up. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, sem ordens de prisão. Karina Gama e o deputado Mário Frias estão entre os alvos.

A PF apura suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Os citados na operação foram procurados e, até a publicação, não haviam se manifestado.

Financiamento do filme

O financiamento de Dark Horse também aparece em outras frentes da investigação. Segundo informações divulgadas anteriormente, o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria repassado ao menos R$ 61 milhões em 2025 para financiar a produção.

Os recursos teriam sido direcionados a um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.

Na quarta-feira (9), o ministro André Mendonça, do STF, homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. O empresário é dono da Entre Investimentos, apontada como responsável por repasses feitos a mando de Vorcaro.

Segundo a delação, Mineiro realizou sete repasses, entre janeiro e setembro de 2025, para o fundo Havengate, que totalizaram US$ 12,333 milhões, cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano.

A PF investiga se todo esse dinheiro foi efetivamente destinado à produção de Dark Horse, como afirmam Flávio Bolsonaro e a Go Up, ou se parte dos recursos teve outra finalidade.