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The Economist diz que crise no STF ameaça democracia e aponta “escândalo de corrupção”

Política

The Economist diz que crise no STF ameaça democracia e aponta “escândalo de corrupção”

Revista britânica critica decisões de Alexandre de Moraes e destaca embate com André Mendonça no caso Banco Master

The Economist diz que crise no STF ameaça democracia e aponta “escândalo de corrupção”

Foto: Reprodução

Por: Metro1 no dia 10 de setembro de 2026 às 17:32

A revista britânica The Economist publicou nesta quinta-feira (10) uma análise sobre a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) e classificou a Corte como centro de um “escândalo de corrupção” que, segundo a publicação, representa uma ameaça à democracia brasileira. O texto também destaca o confronto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em meio às investigações relacionadas ao Banco Master.

A publicação relembra a atuação do Supremo no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A revista afirma que a Corte enfrentou ameaças durante o processo, inclusive vindas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Ao abordar o atual cenário político brasileiro, porém, a Economist afirma que o Supremo passou de defensor da democracia a alvo de questionamentos.

“Agora, com a aproximação das eleições gerais de 4 de outubro, os defensores da democracia se tornaram uma ameaça. O Supremo está no centro de um escândalo de corrupção desagradável e cada vez maior. No centro dele está o ministro que supervisionou o processo contra Bolsonaro, Alexandre de Moraes”, afirma a publicação.

Críticas a Moraes

A revista também questiona decisões tomadas por Moraes ao longo de sua atuação no STF. Entre os exemplos citados estão determinações para derrubar perfis em redes sociais e a atuação do ministro no inquérito das Fake News.

Segundo a Economist, Moraes acumulou no procedimento as funções de vítima, acusador e juiz, uma combinação que a publicação classifica como problemática.

O texto também aborda os contatos entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, revelados em documentos relacionados à investigação da Polícia Federal. A partir desse episódio, a revista descreve o agravamento do conflito entre Moraes e Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master.

Crise chega à Polícia Federal

A Economist afirma que a disputa também alcançou a Polícia Federal, após Mendonça determinar medidas envolvendo o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

A publicação cita a reação da PF, que acusou o ministro de interferir na produção de provas, e estabelece um paralelo com a passagem de Mendonça pelo Ministério da Justiça durante o governo Bolsonaro.

“A Polícia Federal acusou Mendonça de interferir na coleta de provas. Em 8 de setembro, ele tentou suspender o chefe da Polícia Federal e impedir a produção de relatórios de inteligência sobre ministros. No entanto, em 2020, quando Mendonça era ministro da Justiça de Bolsonaro, ele supervisionou a elaboração de um dossiê sobre centenas de policiais e acadêmicos que Bolsonaro considerava inimigos”, afirma a Economist.

Impacto político

Na avaliação da revista, a crise interna do STF pode fortalecer aliados de Bolsonaro no Congresso e ampliar as consequências políticas do caso Banco Master.

A Economist considera que eventuais erros processuais poderiam criar argumentos jurídicos para o encerramento da investigação, cenário que beneficiaria Moraes e outros políticos envolvidos no caso, entre eles Flávio Bolsonaro.

“A maior perdedora seria a democracia”, conclui a publicação, ao afirmar que a confiança da população no Supremo vem se deteriorando.