
Política
PF intima Galípolo, Campos Neto e dono do BTG para depor sobre Banco Master
Presidente e ex-presidente do Banco Central, além de André Esteves, serão ouvidos como testemunhas em investigação sobre atuação de servidores da autarquia no caso

Foto: Agência Senado/Wikipedia
A Polícia Federal determinou a intimação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto e do dono do BTG Pactual, André Esteves, para prestarem depoimento no inquérito que apura irregularidades relacionadas ao Banco Master. O diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, também será novamente ouvido pelos investigadores.
A princípio, os quatro serão chamados na condição de testemunhas e, nessa situação, terão o dever de prestar informações verdadeiras sobre os fatos investigados.
As oitivas foram determinadas pela PF em 3 de agosto e ainda não foram realizadas. De acordo com pessoas que acompanham o caso, os depoimentos foram programados após outros interrogatórios que estavam pendentes. O próprio Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi ouvido pelos investigadores em 28 de agosto.
A decisão para ouvir Galípolo, Campos Neto, Esteves e Aquino ocorreu após informações apresentadas pelo ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza em seu depoimento. Ele e Belline Santana, ex-chefe e ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC, respectivamente, são investigados por supostamente terem sido cooptados por Vorcaro.
Os dois negam favorecimento indevido e participação em irregularidades.
Galípolo é citado em reuniões sobre o Master
Em depoimento à PF, Paulo Sérgio negou ter recebido propina de Vorcaro para repassar informações sigilosas do Banco Central. Ele também relatou reuniões com Galípolo para discutir a situação do Banco Master.
Segundo o ex-servidor, em um primeiro encontro, realizado entre o fim de fevereiro e o início de março, foi informado a Galípolo que o Master já não estava recolhendo integralmente o compulsório, reserva obrigatória mantida no Banco Central, e que seria necessário liquidar a instituição ou encontrar uma solução de mercado envolvendo o BTG Pactual.
Paulo Sérgio afirmou que, naquela ocasião, Galípolo teria pedido um “voto de confiança” para a solução que envolvia o Banco Regional de Brasília (BRB).
Em uma segunda reunião, realizada no fim de junho, ainda segundo o depoimento, Galípolo teria afirmado que não faria uma comunicação ao Ministério Público Federal por gestão temerária, alegando ter recebido internamente a informação de que havia fraude na carteira do banco.
O ex-diretor também relatou que, durante o período em que Galípolo era sabatinado pelo Senado para assumir a presidência do Banco Central, recebeu de Ailton de Aquino a orientação de “jogar parado”.
BTG teria apontado fraude de R$ 32 bilhões
O depoimento de Paulo Sérgio também trouxe informações sobre uma reunião envolvendo o BTG Pactual e a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central.
Segundo ele, em novembro de 2024, Ailton de Aquino informou que o BTG havia concluído uma due diligence no Banco Master e identificado uma suposta fraude de R$ 32 bilhões.
O ex-servidor relatou que a informação foi comunicada verbalmente por telefone em 29 de novembro e que, posteriormente, recebeu orientação para viajar a São Paulo. Uma apresentação do BTG teria ocorrido em 3 de dezembro de 2024, com a presença de Campos Neto.
“Relata que a comunicação do BTG foi verbal, feita por telefone no dia 29 de novembro, e que o diretor Ailton lhe disse para ir a São Paulo na segunda-feira, pois na terça-feira o BTG faria uma apresentação; que a apresentação foi realizada no dia 3 de dezembro de 2024, estando presentes o presidente Roberto Campos Neto (...); que o BTG não entregou documentação na reunião”, afirmou Paulo Sérgio.
Master recebeu ultimato antes da liquidação
A investigação também resgata medidas adotadas pelo Banco Central durante a gestão de Campos Neto. Em novembro de 2024, cerca de um ano antes da liquidação do Banco Master, a instituição recebeu do BC uma série de exigências relacionadas à sua situação financeira e à governança.
Em comunicação enviada ao Banco Central em 7 de novembro daquele ano, Vorcaro se comprometeu a implementar medidas para melhorar a governança corporativa e recompor a situação financeira do banco no prazo de seis meses, até maio de 2025.
Defesa critica vazamento
Os advogados de Roberto Campos Neto afirmaram que ele ainda não foi formalmente intimado e criticaram a divulgação da informação sobre a determinação da PF.
“A defesa de Roberto Campos Neto esclarece que jamais foi intimada e sequer tinha conhecimento da existência do alegado despacho de 3 de agosto. Se, de fato, existe determinação para que Roberto Campos Neto seja ouvido, é lamentável que tal informação tenha sido vazada à imprensa. Sem acesso ao documento, a defesa não tem como confirmar sua existência, autenticidade ou teor.”
O BTG Pactual informou que não comentaria o caso. O Banco Central não se manifestou.
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