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ONG de produtora de "Dark Horse" teve tesoureiro fantasma e assinaturas suspeitas em documentos; entenda

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ONG de produtora de "Dark Horse" teve tesoureiro fantasma e assinaturas suspeitas em documentos; entenda

Eletricista aparece em atas como tesoureiro-geral do Instituto Conhecer Brasil (ICB) entre 2014 e 2021, mas afirma que apenas emprestou o nome

ONG de produtora de "Dark Horse" teve tesoureiro fantasma e assinaturas suspeitas em documentos; entenda

Foto: Divulgação

Por: Metro1 no dia 15 de setembro de 2026 às 11:57

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, teve por seis anos um tesoureiro que afirma nunca ter exercido a função. Documentos também mostram divergências em assinaturas de integrantes da entidade, levantando suspeitas sobre possíveis fraudes. O caso foi revelado pelo Intercept Brasil, que analisou documentos e ouviu envolvidos.

O eletricista Jacio de Medeiros Dantas, de 64 anos, aparece em atas como tesoureiro-geral do ICB entre 2014 e 2021. Ele afirma que apenas emprestou o nome para o cargo após um pedido da mãe de Karina. “Não, nunca [atuei como tesoureiro do ICB]. Até porque eu tenho outro trabalho. Eu sou autônomo, trabalho na área elétrica. Eu não tinha tempo para fazer nada”, afirmou.

Dantas também declarou que nunca participou de reuniões ou assembleias, embora seu nome apareça em listas de presença. “Eu coloquei meu nome lá porque eu conhecia ela, mas faz tempo que eu não tenho contato com ela. […] Eu lembro que ela tinha que constituir a ONG […] e em cada função tinha que ter um nome. Aí ela pediu para colocar o meu nome para constar, eu acho que era tesoureiro, se não me engano”, disse.

Contratos e investigações

O ICB assinou, em 2024, um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de internet Wi-Fi pública. O acordo é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de irregularidades. A entidade também está no centro de uma investigação da Polícia Federal sobre possível desvio de recursos de emendas parlamentares, incluindo R$ 2 milhões destinados pelo deputado federal Mario Frias (PL), roteirista e produtor executivo de “Dark Horse”.

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), divulgada anteriormente pelo Intercept, apontou que o ICB desviou recursos recebidos do CN-Sesi em sete estados e no Distrito Federal. Dos R$ 11 milhões destinados à entidade, pelo menos R$ 2,4 milhões teriam sido pagos acima dos valores considerados adequados.

Divergências nas assinaturas

Desde que Karina Ferreira da Gama assumiu oficialmente a presidência, em 2014, 12 pessoas ocuparam funções na estrutura do instituto, incluindo cargos no conselho fiscal, secretarias e tesouraria. Segundo os documentos analisados, alguns integrantes tinham poder para movimentar recursos e votar em assembleias que elegeram ou reconduziram Karina ao comando da entidade. Entre eles estava a mãe dela, Regina Ferreira da Gama de Nazaré, vice-presidente entre 2014 e 2017.

Também foram identificadas diferenças entre assinaturas atribuídas a integrantes do instituto em atas e outros documentos oficiais. Dantas afirmou não reconhecer duas das assinaturas atribuídas a ele. O mesmo tipo de divergência aparece em documentos ligados a Rafael Tadeu da Silva Santanna e Karina Pereira Penha. O ICB e Karina Ferreira da Gama não responderam aos questionamentos até a publicação. Karina Penha confirmou ter trabalhado na organização, enquanto Santanna disse ter ficado surpreso com as divergências e afirmou não se lembrar de ter assinado alguns dos documentos.