Política
Dino diz que corrupção no Judiciário se multiplicou e cobra tratamento igual para casos semelhantes

Sessão foi marcada por bate-bocas entre ministros, pedidos para não votar e divergências sobre a condução dos processos

Foto: Rosinei Coutinho/STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira (15) o julgamento que analisa o relatório da Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão foi interrompida após uma manhã marcada por bate-bocas, divergências entre os ministros e declarações de impedimento para participar da votação.
A sessão começou às 10h22, conduzida pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Antes do intervalo, os ministros discutiram a validade do procedimento que reúne as informações da Polícia Federal e a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo Moraes. O julgamento não trata de eventual culpa do ministro, mas da possibilidade de prosseguimento da apuração.
Bate-boca entre Moraes e Mendonça
Um dos momentos mais tensos ocorreu durante o confronto entre Alexandre de Moraes e o relator do caso, André Mendonça.
Moraes questionou a condução do processo e afirmou que os procedimentos relacionados a ele e a Mendonça deveriam ser analisados conjuntamente.
“Não há como julgar hoje [a situação de Moraes] sem julgar [a situação de André Mendonça]. Quem tem medo da Polícia Federal?”, perguntou Moraes.
Mendonça respondeu: “Não é questão de medo não.”
“Eu não estou perguntando a vossa excelência”, disse Moraes.
“Mas eu estou lhe respondendo”, rebateu Mendonça.
Em outro momento, Moraes acusou Mendonça de ter participado de uma tentativa de incluí-lo em uma colaboração premiada.
“Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada? Vamos trazer aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas também advogados”, afirmou.
Mendonça respondeu: “Mentira.”
Gilmar chama condução de ‘covarde’ e Mendonça de ‘leviano’
O confronto continuou entre Gilmar Mendes e Mendonça. O decano criticou a condução do processo e afirmou que havia um “inequívoco viés eleitoral” no caso.
Mendonça reagiu:
“O senhor está sendo leviano.”
Gilmar então classificou a condução do caso como “covarde” e “vil”.
“É uma atitude covarde, vil. Já disse isso antes: até a máfia tem ética. É preciso ter decência. Não se comporta assim”, declarou.
Mendonça pediu respeito ao tribunal, e Gilmar respondeu: “Quem não se dá respeito não merece respeito.”
Ministros anunciam que não vão votar
A sessão também foi marcada por manifestações de ministros que não participariam da votação. Dias Toffoli explicou seu impedimento durante os debates, enquanto Nunes Marques também deixou o plenário após declarar-se suspeito.
A discussão sobre quem poderia participar do julgamento também provocou divergências entre Flávio Dino e Fachin sobre a aplicação do regimento do STF.
Dino e Fachin divergem sobre condução dos processos
Flávio Dino apresentou uma questão de ordem para que os procedimentos relacionados ao caso fossem analisados conjuntamente. Gilmar Mendes apoiou a proposta.
A discussão envolveu ainda a redistribuição da relatoria por sorteio e a possibilidade de reunir os processos que envolvem Moraes e Mendonça.
Fachin, por sua vez, defendeu a condução dos processos sob sua relatoria. A divergência aumentou a tensão no plenário e contribuiu para a suspensão temporária do julgamento.
Clima muda após suspensão
Apesar dos confrontos registrados durante a sessão, o ambiente mudou após Fachin interromper os trabalhos.
Gilmar e Moraes deixaram o plenário juntos, conversando. Dino permaneceu ao lado de Mendonça.
Antes de sair, Dino foi até Fachin e abraçou o presidente do STF. Os dois deixaram o plenário juntos e conversando, acompanhados por Cármen Lúcia, Luiz Fux e Cristiano Zanin.
A sessão foi suspensa por volta das 13h e tem previsão de retomada nesta tarde.
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