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Em Nova York, Mauro Vieira alerta países latino-americanos sobre relativização da soberania

Política

Em Nova York, Mauro Vieira alerta países latino-americanos sobre relativização da soberania

Durante reunião da Celac, chanceler brasileiro também defendeu que uma mulher da região assuma o comando da ONU

Em Nova York, Mauro Vieira alerta países latino-americanos sobre relativização da soberania

Foto: Mateus Oliveira/MRE

Por: Metro1 no dia 22 de setembro de 2026 às 09:48

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fez um alerta sobre a “relativização da soberania” durante uma reunião com representantes de países latino-americanos em Nova York, nos Estados Unidos. A manifestação ocorre em meio à avaliação de integrantes do governo brasileiro de que os Estados Unidos têm tentado interferir nas eleições do Brasil.

A informação foi divulgada pelo Itamaraty nas redes sociais. Segundo o ministério, Vieira abordou o tema durante um encontro de ministros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

“Em seu discurso, [Mauro Vieira] alertou para a relativização da soberania e a erosão do multilateralismo”, informou o Itamaraty, sem apresentar mais detalhes sobre a declaração.

O chanceler está em Nova York para acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que discursa nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo interlocutores do presidente, Lula também deverá defender a soberania nacional durante o pronunciamento. A intenção, conforme auxiliares, é enviar mensagens a líderes internacionais sem mencionar nomes específicos, como o do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para evitar embates ou constrangimentos.

Lula já declarou publicamente que gostaria de se reunir com Trump para pedir que o governo norte-americano não tente interferir nas eleições brasileiras deste ano.

As declarações ocorrem em meio a uma série de medidas adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil. Entre elas, estão a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, sob alegações de práticas comerciais desleais e falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

O governo norte-americano também classificou as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais, alegando que o Brasil falhou no combate aos grupos e que eles passaram a atuar em território dos Estados Unidos. Além disso, indicou como embaixador no Brasil um político alinhado à direita, defensor de ações militares na região.

Recentemente, Lula e Trump conversaram por telefone durante cerca de uma hora e meia. Segundo relatos de auxiliares do presidente brasileiro que acompanharam a conversa, Trump mencionou as eleições no Brasil e ouviu de Lula que o processo eleitoral transcorre normalmente e que o sistema de votação é confiável.

Comando da ONU

Durante a reunião da Celac, Mauro Vieira também reiterou a posição brasileira em favor da escolha de uma mulher latino-americana para assumir o cargo de secretária-geral da ONU. O mandato do atual ocupante do posto, o português António Guterres, termina neste ano.

O Brasil apoiava a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, que desistiu de concorrer. Até o momento, o governo brasileiro não anunciou quem receberá seu apoio, mas tem defendido que a região conta com mulheres “à altura” da função.

“[Mauro Vieira] defendeu, no contexto dos desafios geopolíticos atuais, a coesão dos países da Celac em torno de uma candidatura da região ao posto de secretário-geral da ONU, em respeito ao princípio de rotatividade entre as regiões”, informou o Itamaraty.

O ministério acrescentou que o chanceler reiterou a posição brasileira favorável à escolha de uma mulher da região, que seria a primeira a ocupar o principal cargo da organização.