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Master transferiu R$ 1,44 bilhão em precatórios a empresa ligada a delator antes de liquidação

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Master transferiu R$ 1,44 bilhão em precatórios a empresa ligada a delator antes de liquidação

Negociação com a Entre Investimentos ocorreu em outubro de 2025; liquidante afirma que não há comprovação dos pagamentos e investiga possível ocultação patrimonial

Master transferiu R$ 1,44 bilhão em precatórios a empresa ligada a delator antes de liquidação

Foto: Divulgação

Por: Metro1 no dia 23 de setembro de 2026 às 14:38

O Banco Master transferiu R$ 1,44 bilhão em créditos de precatórios à Entre Investimentos cerca de um mês antes de ter a operação liquidada pelo Banco Central, em novembro de 2025. A empresa, ligada ao ex-controlador Daniel Vorcaro, era controlada por Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, que firmou acordo de colaboração premiada em setembro deste ano.

Segundo documentos obtidos pelo GLOBO, os contratos foram assinados entre 7 e 9 de outubro de 2025. A Entre se comprometeu a pagar R$ 1,28 bilhão pelos créditos, com deságio de 10,8%.

Em ação apresentada à Justiça, a liquidante do Master afirmou que não há comprovação de que os pagamentos tenham sido realizados e que não conseguiu identificar a origem dos recursos ou ativos eventualmente entregues como contrapartida. A administradora investiga se a operação integrou um mecanismo de circulação e ocultação patrimonial em benefício de Vorcaro.

Os seis contratos envolvem créditos de indenizações reivindicadas por usinas de açúcar contra a União. Os processos contam com a atuação do escritório da advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que pessoas próximas ao banqueiro se referiam ao casal como integrante da “Turma do KN”, expressão interpretada pela Polícia Federal como possível referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF.

Nunes Marques negou ter votado a favor do Master ou de Vorcaro e afirmou que a tese discutida se aplicava a diversas empresas. O escritório de Camilla declarou que não recebeu honorários do banco e que não participou de negociações de precatórios com terceiros.

O caso da Usina Catende também teve atuação da advogada Dalide Corrêa, ex-diretora-geral do IDP. O ministro Gilmar Mendes negou ter conhecimento da atuação dela em processos relacionados aos precatórios do setor sucroalcooleiro. Na terça-feira (22), ele defendeu que julgamentos sobre as disputas das usinas com a União fossem realizados pelo plenário do STF.

A Entre também foi utilizada por Vorcaro para enviar recursos aos Estados Unidos destinados ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em sua delação, Freixo Júnior relatou pagamentos feitos a pedido do banqueiro para um fundo americano, mas afirmou que não sabia que os valores seriam usados na produção do filme.