
Política
Ex-funcionária de investigado na fraude do INSS ligado a Flávio Bolsonaro aparece como dirigente de 14 empresas
Lídia Mazelli passou a ocupar cargos em empresas ligadas a Willer Tomaz quatro dias após deixar o escritório; negócios incluem imóveis milionários, uma ilha em Angra e empresa de pagamentos de bets

Foto: Iano Andrade /CNI; Divulgação
Lídia Maria Figueiredo Mazelli, 61 anos, trabalhou por cerca de um ano e meio no escritório do advogado Willer Tomaz, apontado como próximo do senador Flávio Bolsonaro. Quatro dias após deixar o emprego, em setembro de 2020, ela passou a aparecer formalmente como dirigente de empresas ligadas ao advogado. Ao longo dos anos, seu nome esteve na administração de 14 empresas dos setores de comunicação, mineração, imóveis, investimentos, meios de pagamento e aviação. As informações foram divulgadas pelo Núcleo Investigativo do ICL Notícias e da newsletter Noites Húngaras.
Entre os negócios estão uma mansão avaliada em R$ 10 milhões em Angra dos Reis, uma ilha anunciada por R$ 17 milhões, um hangar de luxo em Brasília e a RioPag, contratada pela Loterj para processar pagamentos de casas de apostas credenciadas pelo governo do Rio. O contrato foi estimado em R$ 32 milhões por cinco anos. A Loterj acusa a empresa de não repassar R$ 20,9 milhões ao Estado.
A reportagem do ICL encontrou Lídia no Distrito Federal e relata que ela inicialmente afirmou trabalhar como doméstica, negou conhecer Willer e disse não saber que aparecia como dirigente das empresas. Depois da publicação, ela mudou a versão e afirmou ser bacharel em Administração, formada em 2002, e ter exercido funções de gestão. Willer também inicialmente negou que a mulher abordada fosse Lídia, mas depois reconheceu que era ela. O advogado afirma que ela é administradora, formada há mais de 20 anos, e tem experiência em cargos de gestão. A reportagem diz não ter recebido comprovação da graduação solicitada.
Lídia aparece ainda como presidente da WT Administração de Imóveis e Bens, empresa envolvida na disputa judicial por uma mansão em Angra dos Reis. A reportagem cita o relato de um antigo proprietário de que Flávio e Willer teriam se apresentado como sócios durante uma visita ao imóvel. A assessoria de Willer nega que o senador tenha participação na propriedade. Flávio foi procurado e não respondeu.
A relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz também é destacada na reportagem. Segundo o texto, os dois fizeram ao menos cinco viagens internacionais no primeiro semestre de 2025, incluindo uma à África do Sul com as famílias. Flávio defendeu Willer durante a CPI da Covid e tentou indicar o advogado para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça.
A reportagem do ICL também cita conexões empresariais entre pessoas próximas a Flávio e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, investigado em fraudes contra aposentados. Segundo o texto, uma empresa da qual Flávio é sócio divide endereço com empresas ligadas a Antunes e utiliza o mesmo escritório de contabilidade. Willer, alvo da Operação Sem Desconto, nega envolvimento nas fraudes contra aposentados e afirma que a PGR se manifestou contra diligências relacionadas a ele por falta de ligação com o caso.
Willer Tomaz e Lídia negam irregularidades. O advogado afirma que Lídia exerceu efetivamente funções de gestão e nega qualquer sociedade de Flávio com ele. Lídia também diz ter exercido os cargos de gestão, contesta a abordagem da reportagem e afirma nunca ter trabalhado como empregada doméstica. A reportagem não afirma que Lídia ou Flávio tenham participado das fraudes investigadas pela Operação Sem Desconto.
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