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Mesmo liberadas pela Justiça, três bets dizem que bancos não estão aceitando apostas

Política

Mesmo liberadas pela Justiça, três bets dizem que bancos não estão aceitando apostas

Empresa afirma que bancos seguem bloqueando depósitos via Pix e pede ao TRF-3 que determine o restabelecimento dos serviços financeiros

Mesmo liberadas pela Justiça, três bets dizem que bancos não estão aceitando apostas

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 06 de novembro de 2026 às 17:08

A CDA Gaming, empresa responsável pelas plataformas Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online, afirma que enfrenta dificuldades para retomar integralmente as operações no Brasil. Embora tenha conseguido uma liminar no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) para voltar a oferecer apostas on-line, a companhia alega que instituições financeiras continuam bloqueando depósitos nas três plataformas. Os sites voltaram ao ar na quinta-feira (5).

Segundo relato da empresa, os apostadores ainda não conseguem adicionar dinheiro às contas por meio do Pix, o que impede, na prática, a retomada completa dos serviços. Clientes que tentam realizar transferências pelo Nubank, por exemplo, recebem o aviso: “Não foi possível enviar o pagamento. Por exigências legais e regulatórias, pagamentos para plataformas de apostas estão bloqueados”, conforme reportagem do site Metrópoles.

No caso do Itaú, a mensagem apresentada informa que a transação não pode ser concluída porque o destinatário foi identificado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) como uma casa de apostas. Segundo a CDA, também há restrições para depósitos em instituições como Banco do Brasil, Mercado Pago, Caixa Econômica Federal, Banco Inter, Banco Pan e PicPay.

Diante do impasse, a empresa apresentou, nesta sexta-feira (6), um novo pedido à desembargadora Adriana Pileggi. A CDA solicita que o TRF-3 determine, em caráter de urgência, que o Banco Central e o Ministério da Fazenda adotem medidas para garantir o cumprimento integral da liminar, especialmente no que diz respeito ao restabelecimento dos serviços financeiros e de pagamento.

Entre os pedidos apresentados estão a fixação de um prazo de 24 horas para o cumprimento das providências, a reativação do acesso da empresa ao Sigap, sistema de controle de apostas da União, e um esclarecimento sobre o alcance da liminar em relação às atividades de publicidade, marketing e patrocínio. A empresa argumenta que esses pontos precisam ser definidos para garantir a retomada das operações.

Entenda a decisão

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), em São Paulo, autorizou três casas de apostas a retomarem as atividades no Brasil. A decisão, concedida em caráter liminar, beneficia exclusivamente Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online, todas pertencentes à CDA Gaming. Em caso de descumprimento da ordem, o governo federal poderá ser penalizado com multa diária de R$ 200 mil.

Ao justificar a autorização, a desembargadora Adriana Pileggi classificou como “verdadeiro confisco” a proibição de funcionamento de empresas que receberam autorização do próprio governo e realizaram investimentos para atuar legalmente no país. Para a magistrada, o encerramento das atividades em prazo tão curto provocaria prejuízos significativos e desrespeitaria princípios constitucionais como segurança jurídica, razoabilidade e proporcionalidade.

Governo vai recorrer

O governo federal anunciou que pretende contestar a decisão do TRF-3. Em nota divulgada nesta sexta-feira (6), a Advocacia-Geral da União (AGU), responsável pela representação judicial do Executivo, informou que vai recorrer da autorização concedida às três plataformas. A medida contraria a restrição ao funcionamento dessas empresas estabelecida pelo governo do presidente Lula (PT).

Investigações contra a desembargadora

A desembargadora federal Adriana Pileggi de Soveral também acumula um histórico de investigações envolvendo suspeitas de corrupção, enriquecimento ilícito e abuso de autoridade. Ao longo da carreira, ela chegou a ser afastada das funções judiciais e respondeu a procedimentos disciplinares, alguns encerrados sem condenação, inclusive por prescrição.

Entre os episódios está a Operação Anaconda, investigação da Polícia Federal sobre um esquema de venda de decisões judiciais. Em 2005, Adriana foi denunciada por corrupção passiva, sob suspeita de favorecer o ex-governador paulista Paulo Maluf. Também foi alvo de questionamentos relacionados ao patrimônio e ao uso de placas reservadas da Polícia Federal, além de uma denúncia por abuso de autoridade.