Política
STJ determina prisão de desembargadora baiana condenada por corrupção; magistrada deixou o Brasil

Ex-presidente da Câmara de São Paulo é um dos 13 indiciados em operação sobre transporte público

Foto: Reprodução/TV Globo
A Polícia Civil de São Paulo indiciou neste sábado (7) o ex-vereador Milton Leite, que presidiu a Câmara Municipal seis vezes, por suspeita de envolvimento em um esquema de empresas de ônibus ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Preso desde setembro, ele é apontado como controlador de negócios usados pela facção criminosa. Ao todo, 13 pessoas foram indiciadas, e a polícia pediu à Justiça que as prisões temporárias sejam transformadas em preventivas. Leite nega as acusações. As informações são do UOL.
O indiciamento foi resultado da conclusão do inquérito da Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do PCC no transporte público. Em um relatório de 104 páginas, os investigadores apontam que Leite teria participado diretamente da administração de empresas controladas pela facção. Ele também é suspeito de ser o verdadeiro proprietário da Transwolff, empresa investigada por movimentar dinheiro para o grupo criminoso. Entre os indiciados estão ainda o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e o ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande Danilo Marco Morgado Silva.
Suspeita de ocultação de provas e regalias na prisão
Segundo a polícia, Leite demorou dois dias para se apresentar após a determinação de prisão, período que teria sido suficiente para esconder ou destruir provas. Os investigadores também apontaram que ele manteve contato com pessoas de fora da apuração enquanto estava preso. Na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, o ex-vereador foi alvo de uma denúncia por supostos privilégios, como recebimento de alimentos e permanência de familiares e políticos na unidade fora das regras.
Após a denúncia, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) realizou buscas na cadeia e em outros endereços. Na casa de um carcereiro, foram apreendidos R$ 155 mil e US$ 10 mil, aproximadamente R$ 55 mil. Câmeras de segurança também registraram veículos ligados à família de Leite entrando na unidade prisional. Depois das suspeitas de benefícios irregulares, ele foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.
Defesa tenta revogar prisão
A investigação reuniu análises de celulares, conversas atribuídas a integrantes do PCC e depoimentos de policiais militares. Em uma das mensagens, um suspeito menciona a necessidade de envolver Leite para resolver uma questão relacionada ao transporte público. Em outra, aparece a preocupação em informar o ex-vereador sobre acontecimentos envolvendo a UpBus. A defesa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar revogar a prisão e alegou que ele possui problemas de saúde. Os advogados também pediram, como alternativa, prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Em 25 de setembro, o ministro Rogerio Schietti Cruz negou o pedido liminar.
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