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Casa presidida por Marcelo Nilo vai custar mais de meio bilhão em 2017

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Casa presidida por Marcelo Nilo vai custar mais de meio bilhão em 2017

“Austeridade” é a palavra mais usada pelo deputado Marcelo Nilo, mas, apesar disso, nunca foi um substantivo que se aplicasse à Assembleia Legislativa da Bahia durante os últimos nove anos — tempo em que presidiu a Casa [Leia mais...]

Casa presidida por Marcelo Nilo vai custar mais de meio bilhão em 2017

Foto: Tácio Moreira/Metropress

Por: Bárbara Silveira no dia 17 de novembro de 2016 às 06:00

“Austeridade” é a palavra mais usada pelo deputado Marcelo Nilo, mas, apesar disso, nunca foi um substantivo que se aplicasse à Assembleia Legislativa da Bahia durante os últimos nove anos — tempo em que presidiu a Casa. Apesar de assegurar o tempo todo que a Assembleia “cortaria na carne” para conseguir enfrentar a recessão econômica que afeta o país, a prática de Nilo tem sido bem diferente. 

Nos últimos anos, as despesas da Assembleia tem aumentado de forma vertiginosa. Em 2014, após passar o ano inteiro se queixando que precisaria de suplementação financeira para não fechar no vermelho, Nilo conseguiu aumentar em 11% as despesas da caríssima Assembleia. E o pior é que não parou por aí: o orçamento do Legislativo Estadual subiu de R$ 453 milhões em 2015 para R$ 490 milhões em 2016. Tá achando muito? Para não perder o costume, 2017 vem com mais um golpe: de acordo com a Proposta de Lei Orçamentária Anual, o orçamento de 2017 será de R$ 541 milhões, um aumento de R$ 51 milhões em relação a 2016. 

Sequência de reajustes a cada ano demonstra falta de respeito com o eleitor
Os sucessivos aumentos no orçamento da Assembleia Legislativa demonstram o desrespeito da Casa com o povo da Bahia — sobretudo num momento em que todo o Brasil sabe que precisamos de um ajuste fiscal para voltar a crescer. 

Como em uma síndrome de Maria Antonieta — aquela que teria debochado do povo ao dizer “Se não tem pão, que comam brioches” —, os deputados do estado correm o risco de acabar como a Rainha da França: guilhotinados, ainda que metaforicamente, pelos eleitores da Bahia. 
Por enquanto, o Legislativo do estado ainda ri e até desdenha. Mas é bom conhecer a história antes de repetir as falhas de poderosos do passado. 

“Quanto veio? Eu nem sei”, diz Marcelo Nilo
Procurado pela Metrópole, Marcelo Nilo não opinou sobre o possível aumento do orçamento da Casa — na verdade, tentou nos convencer de que nem sabia qual o valor. “Não foi votado ainda, está aqui na Casa. Chegou e está na comissão ainda, só será votado no final de dezembro”, disse.
Nilo disse também que só irá se pronunciar em plenário. “As Comissões que vão analisar. Quanto é que veio? Eu nem sei. Ainda vai ser analisado, não tem nada aprovado. Eu nem pedi aumento, o governador que enviou. Se eu der uma opinião antes da votação fica chato”, completou. 

Aumentos geram desconfiança do povo
Diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Manoel Garrido explicou que ações como as tomadas pela Assembleia Legislativa  da Bahia diminuem a confiança popular. “Esse é o principal problema, porque parece um aumento automático, sem nenhuma tentativa de racionalizar os custos e gastar onde realmente é necessário”, disse.
“A principal questão nesses aumentos — até pelo fato de que em anos anteriores e na proposta para o ano que vem, o aumento é de 10% — é que parece não haver um cuidado da Assembleia em determinar se, de fato, os gastos são justificados”, afirmou Garrido.