
Política
Filho de Jango conta lembranças do exílio em livro: “Lado humano e da luta"
Filho do ex-presidente João Goulart, o filósofo, poeta, empresário João Vicente Goulart conversou com Mário Kertész nessa segunda-feira (12) sobre a trajetória do seu pai na política brasileira, contada no livro “Jango e eu”, que será lançado em dezembro pela editora Civilização Brasileira. “Jango”, como ficou conhecido pela população, presidiu o país de 1956 a 1964, e foi o 24° presidente do país [Leia mais...]

Foto: Reprodução/Páginas da História
Filho do ex-presidente João Goulart, o filósofo, poeta, empresário João Vicente Goulart conversou com Mário Kertész nessa segunda-feira (12) sobre a trajetória do seu pai na política brasileira, contada no livro “Jango e eu”, que será lançado em dezembro pela editora Civilização Brasileira. “Jango”, como ficou conhecido pela população, presidiu o país de 1956 a 1964, e foi o 24° presidente do país.
“Ir para o exílio mudou toda nossa vida, fomos para um país diferente. O primeiro capítulo do livro é a ida para o Uruguai. Estava com a minha mãe, perguntei a ela que cor era o Uruguai, ela me disse: ‘O Uruguai é azul, meu filho’, escorrendo uma lágrima nos olhos. Nós fomos os primeiros e únicos filhos de presidente que nos mudamos para Brasília e estudamos na Escola do Parque. Depois, tivemos que ir para o Uruguai, aí foram as mudanças de língua, etc. Lá no Uruguai existe um rito de passagem, ver um filho cantando o hino em espanhol e jurando a bandeira do Uruguai é duro. Não é um livro de academia, ele é um livro que conta o lado humano, do sofrimento, da luta constante pela democracia. Ele era um homem de diálogo, recebeu o Lacerda e deixou de achar que ele era seu pior inimigo, em primeiro lugar estava o Brasil”, explica.
Eleito duas vezes vice-presidente em chapas diferentes pelo Partido Trabalhista Brasileiro(PTB), quando se votava no presidente e no vice, Jango foi escolhido com mais votos que o cargo principal. “Ele tinha um imenso posicionamento, certeza do lugar que ela cabia na história; 52 anos depois ainda estamos falando de Jango. Em alguns momentos, quando ele achou que o golpe se estenderia, ele tinha certeza do posicionamento que a historia lhe daria. Jango se tornou o único presidente a morrer no exílio, lutando. Eu não falo isso [sobre o possível assassinato de Jango na Operação Condor], essas dúvidas que começaram a surgir foram depois, nos anos 80. Agentes foram presos, há relatos de como o terceiro exército infiltrava pessoas dentro de nossa família”, lembra.
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