Política

‘Me colocam como saco de pancada’, diz Marina sobre ser evangélica

“Depois que virei evangélica, sou questionada de manhã, de tarde e de noite. O Alckmin que é contra o aborto, católico, ninguém pergunta”, compara candidata

[‘Me colocam como saco de pancada’, diz Marina sobre ser evangélica]
Foto : Geraldo Magela / Agência Senado

Por Rodrigo Daniel Silva/Gabriel Nascimento no dia 17 de Setembro de 2018 ⋅ 08:40

A presidenciável Marina Silva (Rede) disse, em entrevista à Rádio Metrópole, que tem virado um “saco de pancadas” por ser evangélica. Ela reafirmou que defende o plebiscito para discutir aborto, mas ressaltou que se mantém contra o procedimento.

“Quem contribuiu para o Estado ser laico foram os protestantes. Foi com a reforma luterana que o Estado se afastou da Igreja. Estado laico é uma benção para todos, independentemente de ser evangélico, espírita, ateu, todos devem ter seus direitos defendidos. Eu sou cristã, mas tenho uma relação excelente com meus irmão católicos. Quase fui freira. Não escondo a minha fé. […] Nunca tive uma atitude de preconceito contra quem quer seja. Agora, por eu ser evangélica, as pessoas me colocam como saco de pancada como se eu fosse uma fundamentalista. Isso também é uma forma de preconceito”, afirmou.

Segundo Marina, foi após virar evangélica que surgiram questionamentos sobre o fato de ela ser contra o aborto. “Sempre fui contra […] até quando eu era católica, [mas] pouco questionavam. Depois que virei evangélica, sou questionada de manhã, de tarde e de noite. O [Geraldo] Alckmin que é contra o aborto, católico, ninguém pergunta. Não tenho nenhum problema de responder. […] É um tema polêmico. Na maioria dos países, é feito por plebiscito. Não é o presidente que convoca o plebiscito, o Congresso que convoca, então é nesse sentido que estou falando”, ressaltou, ao pontuar que é contra qualquer tipo de discriminação.

Sobre o adversário Jair Bolsonaro (PSL), ela acredita que a intenção de votos do capitão reformado é resultado da “decepção do povo brasileiro”.

“Bolsonaro sofreu esse atentado. Ninguém pode agredir, mas a proposta dele foi desmoralizada. Ele defende distribuição de armas, ele estava com vários policiais federais, militares, e uma guarda dele particular enorme e isso não impediu que alguém chegasse com uma faca e o atingisse. Infelizmente, essas coisas acontecem e mostram o quanto essa ideia de distribuir armas está errada. Se nem a vida dele foi protegida mesmo armado, imagine um cidadão, como é que vai se defender dos bandidos?”, questionou.

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