Política

'Estamos vivendo ditadura em plena democracia', diz senador Fabiano Contarato

Parlamentar critica Bolsonaro e diz que presidente 'não valoriza vida humana'

['Estamos vivendo ditadura em plena democracia', diz senador Fabiano Contarato]
Foto : Jane de Araújo/Agência Senado

Por Matheus Simoni e Juliana Rodrigues no dia 12 de Maio de 2020 ⋅ 14:39

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) criticou a falta de ações do governo de Jair Bolsonaro (Sem partido) para conter a pandemia de coronavírus no Brasil. Em entrevista a Mário Kertész hoje (12), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, o parlamentar afirmou que o chefe do Poder Executivo não institui políticas públicas no combate à doença. As decisões, inclusive, são criticadas por órgãos internacionais. "Nunca a ONU tinha direcionado especificamente ao Brasil uma fala extremamente dura, de que as políticas públicas adotadas pelo presidente caracterizam um verdadeiro genocídio. Nós temos que ter sensibilidade. Reconheço que a população, ficando em casa, fica agoniada, angustiada, mas é necessário, porque nesse momento o remédio mais eficaz é esse isolamento, para que quando puder sair, sair com responsabilidade", declarou o senador. 

Questionado por MK, o senador concordou que nenhuma das instituições democráticas estabeleceu limites até agora de maneira firme contra o presidente, que teria estabelecido um "regime de exceção". "Infelizmente eu tenho que concordar. Na minha concepção, estamos vivendo uma ditadura em plena democracia. Basta verifgicar, tanto no primeiro quanto no segundo escalões, a quantidade de militares que ocupam os cargos. A participação da sociedade foi reduzida nos conselhos, funcionários do Ibama e do ICMBio protocolaram uma representação no MPF por assédio moral coletivo contra o ministro do meio ambiente", contou o senador.

"Só eu, em um ano desse meu primeiro mandato, já entrei com 49 ações por violações que eu entendo que tenham sido praticadas ou pelo chefe do poder Executivo ou por um dos seus ministros", acrescentou.

Ainda de acordo com Contarato, o auxílio emergencial, benefício aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente, poderia ter sido adotado com mais rapidez. O senador questionou se Bolsonaro realmente se interessa pela população do país que está diante do coronavírus. "O auxílio emergencial de R$ 600, ele quis que passasse por todo o trâmite do processo legislativo. Estamos em um país com 459 municípios em situação de extrema pobreza. 70 milhões de brasileiros nessa situação, mais de 20 milhões de desempregados e subutilizados. Não posso admitir que ele teria na mão o instrumento da medida provisória, com o pré-requisito de relevância e urgência. Ele podia ter feito isso com o auxílio emergencial, mas não fez. Agora, ele usa o mesmo instrumento para violar leis federais, legislando por decreto, e também para beneficiar banqueiros. Eu não posso achar que esse é um presidente que valoriza a vida humana", afirmou o parlamentar. 

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