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“Levaram meu braço, mas não levaram uma nação livre", diz Albie Sachs sobre atentado em Moçambique
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“Levaram meu braço, mas não levaram uma nação livre", diz Albie Sachs sobre atentado em Moçambique
O ativista relembra como o episódio mudou o rumo da sua luta pela democracia

Foto: Metropress/Catarina Queiroz
Um atentado que quase tirou sua vida em 1988, em Maputo, Moçambique, marcou uma virada definitiva na trajetória do jurista e ativista sul-africano Albie Sachs. No Jornal da Metropole no Ar desta quinta-feira (11), ele revisitou o episódio que causou a perda do antebraço direito e a visão do olho esquerdo, mas que, segundo ele, reforçou sua luta pela democracia e contra o apartheid.
Sachs, que desde jovem liderou movimentos de oposição ao regime de segregação racial, foi preso, torturado e teve seus escritos proibidos pelo governo sul-africano. Após conseguir deixar o país em 1966, passou a circular por diversas nações apoiando iniciativas de defesa dos direitos humanos. Foi durante esse período de exílio que sofreu o ataque à bomba instalado em seu carro por agentes do regime do apartheid.
“Estava contando ao meu neto que era o melhor dia da minha vida. ‘Mas meu avô, você perdeu um braço’, e eu disse que era o melhor dia da minha vida. Eles vieram até mim, tentaram me matar e eu só perdi um braço. Me senti vitorioso e tinha certeza de que quando voltasse para o meu país, eu voltaria melhor”, relatou.
Para Sachs, a tentativa de assassinato encorajou seu compromisso com a construção democrática que, anos depois, culminaria na Constituição da África do Sul pós-apartheid, da qual foi um dos principais articuladores. “Levaram meu braço, levaram um olho, mas não levaram uma nação livre, a democracia, com a Constituição, sem segregação”, afirmou.
O jurista também destacou, com leveza e humor, a relação afetiva que criou com a Bahia ao longo de suas passagens pelo Brasil. “Havia uma ligação direta com a Bahia. Quando cheguei em Moçambique, vi aquele mundo novo e comecei a ler Jorge Amado. Fui uma vítima de Jorge Amado. Vim quatro vezes ao Brasil e não consegui ir à Bahia, desisti e aí conheci o reitor [Paulo Miguez-UFBA]”, contou.
Confira entrevista completa:
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