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João Cezar de Castro Rocha critica atuação de filhos de Bolsonaro e fala em "entreguismo" sem precedentes
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João Cezar de Castro Rocha critica atuação de filhos de Bolsonaro e fala em "entreguismo" sem precedentes
Em entrevista à Rádio Metropole, escritor avaliou declarações de Eduardo Bolsonaro sobre negociações envolvendo o Pix e afirmou que o clã busca apoio externo diante de possível derrota eleitoral

Foto: Reprodução/Youtube
O escritor e cientista político João Cezar de Castro Rocha criticou duramente a atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro durante entrevista à Rádio Metropole nesta sexta-feira (5). Ao comentar as recentes declarações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) sobre possíveis negociações envolvendo o Pix com os Estados Unidos, o pesquisador classificou a postura como um caso de "entreguismo" sem precedentes na história recente do país.
"Durante a ditadura, com repressão e tortura como método de combate aos adversários políticos, não tivemos militares entreguistas nesse nível", afirmou. Segundo ele, a postura adotada por integrantes da família Bolsonaro representa algo inédito. "O entreguismo dessas pessoas nunca houve de uma maneira tão aberta no país", acrescentou.
A declaração ocorre após Eduardo Bolsonaro afirmar, em entrevista ao canal TMC News, que o Brasil poderia "ir para a mesa de negociação" em meio às críticas do governo do presidente Donald Trump ao Pix. Na ocasião, o parlamentar citou o Zelle, sistema de transferências utilizado nos Estados Unidos, como um mecanismo semelhante ao brasileiro. Diferentemente do Pix, que é público e administrado pelo Banco Central, o Zelle é uma plataforma privada operada por bancos americanos.
Para João Cezar, a fala do deputado provocou surpresa até entre observadores acostumados às declarações da família Bolsonaro. O pesquisador destacou ainda que o sistema brasileiro possui características distintas do modelo americano, por ser administrado pelo Estado e amplamente utilizado pela população.
Durante a entrevista, o escritor também avaliou os impactos políticos das declarações. "Mesmo considerando o pouco cérebro que caracteriza a família Bolsonaro e os limites cognitivos do clã, não é possível que não tenham noção de que, ao fazer isso, eles fortalecem a campanha de Lula", disse.
Na análise de João Cezar de Castro Rocha, o grupo político ligado ao ex-presidente já trabalha com a perspectiva de derrota nas eleições de 2026. "Para o clã, a cada dia é mais palpável a derrota. E pode ser no primeiro turno. Se for assim, qual é a única esperança? Deixa de ser as urnas e passa a ser algum tipo de intervenção norte-americana", declarou.
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