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“Ela nunca se rendeu à censura”, diz jornalista Adriana Negreiros sobre Dercy Gonçalves

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“Ela nunca se rendeu à censura”, diz jornalista Adriana Negreiros sobre Dercy Gonçalves

Autora de “Dercy: A diva debochada” afirma que a artista foi muito além da imagem irreverente popularizada na televisão

“Ela nunca se rendeu à censura”, diz jornalista Adriana Negreiros sobre Dercy Gonçalves

Foto: Reprodução/Metropress

Por: Metro1 no dia 05 de junho de 2026 às 11:39

Atualizado: no dia 05 de junho de 2026 às 11:46

A atriz e humorista Dercy Gonçalves, que morreu em 2008 aos 101 anos, teve uma trajetória muito mais ampla do que a imagem popular construída nos últimos anos de vida. Em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar, a jornalista Adriana Negreiros, autora da biografia “Dercy: A diva debochada”, afirmou que a artista ficou marcada para muitas gerações como uma figura irreverente e desbocada da televisão, mas teve papel fundamental na história do teatro brasileiro. “Ficou conhecida no fim da vida por ser uma velha desbocada que fala palavrões na televisão, mas ela foi muito mais do que isso, foi importantíssima para o teatro”, destacou.

Segundo Adriana, um dos traços mais marcantes da carreira da atriz era sua capacidade de improvisação. Com origem no circo, ela levava para os palcos uma forma de atuação baseada na interação direta com o público e na leitura das reações da plateia. “A Dercy tinha uma capacidade que era única de ler o público. A partir da reação do público, ela desenvolvia o seu texto e o seu espetáculo”, afirmou. A biógrafa explica que a artista estudou apenas até o terceiro ano primário e tinha dificuldades de leitura, o que a levou a criar uma forma própria de interpretar os textos. “Ela pedia que alguém lesse para ela e, uma vez no palco, interpretava tudo ao seu modo”, contou.

A obra também explora as contradições da personalidade de Dercy. Apesar da imagem pública provocadora, Adriana afirma que ela era uma mulher conservadora na vida privada e se incomodava quando entrevistadores confundiam a personagem construída nos palcos com a pessoa fora dos holofotes. “Era muito comum que jornalistas chegassem para entrevistá-la e, em vez de entrevistar a artista, entrevistassem essa figura pública”, disse. Segundo a autora, a humorista se sentia ofendida quando era reduzida à imagem da mulher que falava palavrões. “No livro, eu busco muito apontar essas contradições e esse outro lado dela que muita gente, infelizmente, desconhece.”

Outro aspecto abordado na biografia é a relação de Dercy com a censura. A humorista enfrentou restrições tanto durante o Estado Novo, de Getúlio Vargas, quanto no período da ditadura militar. Considerada pelas autoridades uma figura indecente e provocadora, teve espetáculos interrompidos e passou a ser constantemente vigiada. Ainda assim, segundo Adriana Negreiros, ela nunca abriu mão da própria personalidade. “Ela enfrentou censura de todos os tipos ao longo da vida, mas nunca se rendeu a esse tipo de cobrança”, afirmou a jornalista. “Ela nunca foi uma mulher que se recolheu”, completou.

Confira na íntegra: