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Alemão Dantas transforma histórias de barbearia em livro e lança obra em Salvador
Barbeiro concedeu entrevista ao Jornal da Metropole no Ar desta sexta-feira (5)

Foto: Reprodução/Youtube
O lançamento do livro Cadeira de Barbeiro, do barbeiro e escritor Alemão Dantas, marcado para a próxima segunda-feira (8), no Salão Nana e Barbearia, no Salvador Shopping, reúne décadas de histórias acumuladas entre tesouras, navalhas e conversas ouvidas em cadeiras espalhadas por Salvador. Em entrevista ao Jornal da Metropole no Ar desta sexta-feira (5), o autor contou que a obra nasceu de um sonho antigo de transformar em literatura os relatos e situações que testemunhou ao longo de mais de quatro décadas na profissão.
“Esse livro, na verdade, já tem uns 10 a 15 anos que eu venho planejando com ele. É um sonho que eu tinha justamente pegar aquelas histórias que sempre passam em barbearias, que tem muitas. E Emiliano José, que é um escritor, ele sempre – ue até um cliente meu – falava pra mim ‘pô, você tem muita história, daria pra você escrever um livro’. Mas eu falava pra ele ‘não, as histórias até que eu tenho, mas eu não tenho ideia, seria uma coisa pra mim nova’. E aí ele foi me dando umas dicas, umas ideias, e eu fui colocando devagarzinho no papel. E os primeiros capítulos, ele até me ajudou, depois eu peguei o meu jeitinho e fui. E hoje, graças a Deus, está aqui esse sonho praticamente realizado”, revelou.
Segundo Alemão Dantas, o material que deu origem ao livro foi construído aos poucos, a partir de anotações feitas sempre que alguma situação inusitada acontecia nos salões por onde trabalhou. A publicação reúne 35 contos inspirados em fatos reais e personagens que cruzaram seu caminho desde que deixou Minas Gerais para construir a carreira na Bahia. O autor afirma que a memória das histórias foi essencial para transformar simples rascunhos em narrativas completas.
“Quando acontecia alguma coisa diferente daquele cotidiano no salão, na barbearia, eu sempre anotava o conteúdo. Então, resumindo, eu começava a colocar num papel e guardando aquilo, entendeu? E quando foi agora uns seis meses pra cá, eu comecei a pegar esses rascunhos. No momento que eu pegava aquele rascunho e lia, eu já me lembrava da história. Aí eu começava a escrever. E assim foi”, contou.
A trajetória retratada na obra também passa pela própria história de vida do autor. Filho de trabalhadores rurais, Alemão contou que começou na profissão influenciado pelos irmãos mais velhos, que se tornaram barbeiros em São Paulo. Depois de aprender o ofício em Campinas, decidiu seguir o irmão que havia se mudado para Salvador. “Um belo dia eu falei, eu vou. Aí vim aqui, cheguei, fui muito bem recebido pelos baianos em si, pessoalmente na minha profissão, e comecei”, disse. O escritor relembrou ainda que seu primeiro trabalho na capital baiana foi em uma barbearia no bairro da Liberdade, onde atendeu figuras conhecidas como o cantor Marcelo Nova e o irreverente Maluco Beleza, personagens que ajudam a compor o vasto acervo de histórias guardadas em seu “baú de barbearia”.
Confira a entrevista na íntegra:
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