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“Essa estratégia cobra um preço alto da democracia”, afirma especialista sobre relação entre Forças Armadas e a política brasileira
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“Essa estratégia cobra um preço alto da democracia”, afirma especialista sobre relação entre Forças Armadas e a política brasileira
Adriana Marques, professora da UFRJ, defende novos limites institucionais para as Forças Armadas

Foto: Reprodução/Youtube/Portal Metro1
A relação entre as Forças Armadas e a política brasileira ainda carrega um problema não resolvido desde a redemocratização: a ausência de limites institucionais claros para a atuação dos militares no ambiente político.
A avaliação é da cientista política Adriana Marques, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que participou do programa Três Pontos nesta quarta-feira (12) ao analisar a presença das Forças Armadas na vida política do país.
Para Adriana, a origem da atual ambiguidade está no próprio processo de transição para a democracia. Segundo ela, setores políticos optaram por uma saída negociada com as forças vinculadas ao regime militar, evitando um enfrentamento direto que poderia aumentar a instabilidade naquele momento.
“A maneira mais fácil de fazer uma transição para a democracia é compondo. Incorporar, de alguma maneira, as forças do antigo regime que estavam vinculadas à ditadura e contemporizar com as Forças Armadas”, afirmou.
Adriana avalia que a escolha por uma transição mais conciliatória deixou para os governos seguintes a tarefa de estabelecer, caso a caso, os limites da relação com os militares. Em vez de uma definição institucional duradoura, criou-se uma dinâmica de negociação permanente entre o poder político e as Forças Armadas.
Segundo ela, a falta de uma delimitação clara sobre a influência dos militares na política fez com que diferentes governos recorressem a concessões para evitar conflitos com as Forças Armadas. “A longo prazo, essa estratégia cobra um preço alto da democracia”, disse.
A professora considera que essa lógica impede que a democracia brasileira estabeleça uma relação plenamente institucionalizada com suas Forças Armadas. O problema, portanto, não estaria apenas em eventuais manifestações políticas de militares, mas na permanência de uma estrutura em que a lealdade das instituições militares ainda precisa ser negociada com os governos.
Confira o programa na íntegra:
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