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Hélio Santos lança “14 de Maio” e propõe novos caminhos para enfrentar o racismo no Brasil
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Hélio Santos lança “14 de Maio” e propõe novos caminhos para enfrentar o racismo no Brasil
Em entrevista ao Jornal da Metropole no Ar desta sexta-feira (21), professor contou que novo livro combina memórias pessoais, episódios de racismo e propostas para enfrentar desigualdades que permanecem desde o pós-abolição

Foto: Reprodução/YouTube
O professor, pesquisador e ativista antirracista Hélio Santos apresentou, durante o Jornal da Metropole no Ar desta sexta-feira (21), seu novo livro, “14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo”, e falou sobre a necessidade de enfrentar as manifestações de racismo e defender a democracia. Na entrevista, Hélio explicou que a obra combina memórias pessoais e propostas para combater desigualdades raciais. Hélio também afirmou que o momento atual exige posicionamento diante do crescimento de manifestações racistas.
Um livro sobre resistência
Em “14 de Maio”, Hélio Santos parte da ideia do dia seguinte à abolição da escravidão para refletir sobre a situação da população negra no Brasil. Ele explicou que a liberdade formal não foi acompanhada de condições materiais para os libertos e deixou consequências que permanecem na sociedade. A obra também reúne lembranças de sua trajetória de décadas no movimento negro e na formulação de políticas públicas.
“14 de Maio é o dia seguinte ao 13 de Maio. Essa é uma alegoria que eu trabalho há muito tempo. Quando criança, eu fugia dessa coisa do 13 de Maio. Eu não gostava de ir à escola, mas nunca matei aula. Mas não gostava, porque no dia em que eu me sentia, as professoras falavam que os negros apanhavam, calavam, sofriam. E o dia seguinte, Mário, imagine, Mário. As pessoas glamourizam a senzala. A senzala era um presídio, né? Por três séculos e meio, as pessoas estiveram presas”, apontou.
Racismo mais explícito
Ao comentar o cenário atual, Hélio Santos afirmou que houve avanço na percepção social sobre o racismo, mas que esse processo também foi acompanhado pelo surgimento de manifestações mais abertas de discriminação. Para o pesquisador, episódios envolvendo pessoas negras em diferentes espaços mostram como práticas racistas continuam incorporadas às relações cotidianas.
“Uma coisa a gente tem que reconhecer: a roda do racismo girou. Hoje, a sociedade brasileira tem uma percepção muito melhor, mesmo com a história do ‘mimimi’. As pessoas sabem, mas veja como é que a lei da ação e reação da física pode ser trazida para a área social. Junto com essa nova percepção, a gente começou a ter racismo a céu aberto”, disse.
A necessidade de reagir
Hélio Santos também relacionou o avanço do racismo ao crescimento de grupos extremistas. Ao citar o aumento das células neonazistas no Brasil e manifestações de intolerância que passaram a ocorrer de forma mais aberta, o pesquisador afirmou que a população negra está sendo provocada e precisa reagir diante desse cenário.
Para Hélio, a defesa da democracia exige posicionamento diante dessas manifestações. “O risco é muito grande e tem a ver com o racismo” e, diante desse contexto, quem tem compromisso com a democracia “tem que se posicionar”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:
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