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“A interferência dos EUA na eleição não é mais uma hipótese”, afirma jornalista Paulo Motoryn
Jornalista investigativo, autor da newsletter Noites Húngaras e comentarista do ICL Notícias analisou a influência dos EUA nas eleições brasileiras

Foto: Reprodução YouTube
O jornalista investigativo Paulo Motoryn, autor da newsletter Noites Húngaras e comentarista do ICL Notícias, participou do Jornal da Cidade desta terça-feira (8) e analisou a influência dos Estados Unidos sobre o cenário político brasileiro. Motoryn também é um dos jornalistas que vêm revelando informações sobre o caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Durante a entrevista, ele afirmou que a interferência norte-americana nas eleições brasileiras já deixou de ser uma possibilidade.
“Eu tenho defendido que a interferência dos Estados Unidos na eleição não é mais uma hipótese, não é mais uma especulação, não é mais uma possibilidade. Ela já está acontecendo”, declarou. Para o jornalista, ações como o tarifaço imposto ao Brasil e o envio de agentes norte-americanos para tentar desacreditar o sistema eleitoral demonstram uma atuação concreta. “O tarifaço gera um receio, um impacto na economia brasileira, o envio de agentes para desacredibilizar o sistema eleitoral gera mais desconfiança nas urnas”, afirmou.
Motoryn também citou a atuação de figuras como Donald Trump e Marco Rubio e avaliou que existe uma tentativa de influência em favor de Flávio Bolsonaro. “A gente não está falando só sobre reconhecer ou não o processo eleitoral, a gente está falando sobre o poder simbólico que os Estados Unidos exercem sobre a eleição brasileira”, disse. Segundo ele, a combinação entre pressão econômica, questionamentos sobre as urnas e radicalização política pode produzir efeitos sobre o processo eleitoral.
Ato na Paulista
A análise ocorreu um dia após o ato de 7 de Setembro realizado por bolsonaristas na Avenida Paulista. A manifestação teve críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), elogios ao ministro André Mendonça e acenos aos Estados Unidos. Entre os símbolos exibidos estava um boneco inflável de Donald Trump segurando uma representação de Lula vestido de presidiário. Para Motoryn, o cenário remete ao projeto político derrotado nas eleições de 2022. “Sinto um cheiro do projeto golpista, vencido em 2022, condenado pelo Supremo Tribunal Federal, com o apoio agora dos Estados Unidos”, afirmou.
O jornalista relacionou a influência norte-americana à própria soberania brasileira. “A própria existência do Brasil como nação soberana, na minha percepção, está colocada em xeque quando a gente vê, por exemplo, o que aconteceu no 7 de setembro e o domínio que Donald Trump quer exercer e pretende exercer aqui no Brasil com a vitória do seu aliado”, declarou.
Confira a entrevista na íntegra:
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