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57 anos da morte de Carlos Marighella: filho relembra morte do pai e destaca legado histórico
Filho do ex-deputado contou detalhes do dia do assassinato, em 4 de novembro de 1969, e da tentativa da família de acompanhar o enterro

Foto: Reprodução/Youtube
Carlinhos Marighella, filho do escritor e ex-deputado federal Carlos Marighella, relembrou a trajetória do pai e os momentos que sucederam sua morte, ocorrida em 4 de novembro de 1969, durante a ditadura militar no Brasil. Em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar nesta quarta-feira (4), data em que são lembrados os 57 anos do assassinato, ele compartilhou recordações pessoais e falou sobre a importância do reconhecimento histórico do legado do pai.
Durante a conversa, Carlinhos contou que tinha 20 anos quando recebeu a notícia da morte do pai. Na época, Marighella já era perseguido pelos órgãos de repressão da ditadura e, segundo o filho, era frequentemente retratado pela imprensa como um homem armado e disposto ao confronto. Ele afirmou, porém, que o pai buscava articular forças de esquerda para organizar a resistência ao regime militar.
O filho relatou que soube do assassinato na redação da Tribuna da Bahia, após ser chamado pelo jornalista Quintino de Carvalho. No local, recebeu a notícia e viu, por meio de uma imagem transmitida por telex, a fotografia do corpo do pai dentro de um Fusca, com marcas de tiros. “Foi muito doloroso para mim”, recordou, ao descrever o momento em que reconheceu a imagem.
Carlinhos também relembrou as dificuldades enfrentadas pela família para acompanhar o sepultamento em São Paulo. Segundo ele, os militares tentaram impedir a viagem sob a justificativa de que os parentes não teriam segurança na cidade. Com a ajuda financeira de amigos, a família conseguiu seguir para o estado, mas encontrou Marighella já enterrado como indigente, em uma sepultura sem identificação, no Cemitério de Vila Formosa.
Carlos Marighella foi morto em 4 de novembro de 1969, na Alameda Casa Branca, em São Paulo, durante uma operação organizada por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), sob o comando do delegado Sérgio Paranhos Fleury. A versão divulgada à época pelas autoridades apontava que ele havia morrido em um tiroteio. Análises posteriores da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, porém, concluíram que Marighella foi atingido por disparos quando já estava sob o domínio dos agentes.
Ao falar sobre o legado do pai, Carlinhos destacou o reconhecimento que Marighella conquistou ao longo das décadas, com homenagens, livros, filmes e instituições que levam seu nome. Para ele, a memória do ex-deputado e militante político foi reabilitada pela história brasileira. “Meu pai foi reconhecido e absolvido pela verdadeira história do Brasil”, afirmou.
Confira entrevista na íntegra:
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