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Janio de Freitas defende economistas criativos e critica submissão a teorias convencionais

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Vladimir Safatle vê elite econômica distante dos anseios populares e critica pressão sobre Lula
Durante o Três Pontos desta quarta-feira (4), Safatle criticou a tentativa de preservar propostas econômicas derrotadas nas urnas e afirmou que Lula enfrentará um nível de oposição diferente

Foto: Reprodução/Youtube
O filósofo Vladimir Safatle criticou a tentativa de setores da elite econômica de pressionar o governo Lula a adotar propostas econômicas rejeitadas pela população nas urnas. Em participação no programa Três Pontos, da Rádio Metropole, nesta quarta-feira (4), ele afirmou que a derrota de Flávio Bolsonaro também representou uma rejeição ao projeto econômico defendido pelo candidato e relacionou a manutenção desse modelo à influência política e cultural do agronegócio, que sustenta parte da base bolsonarista.
“Isso mostra a completa desconexão dessa elite brasileira em relação a que são verdadeiramente os anseios populares. O programa que foi derrotado não foi só o Flávio Bolsonaro. Foi derrotado o programa econômico que ele representava, que ele queria implementar. Porque a população sabe muito bem que esse programa não lhe convém. Não lhe convém”, afirmou.
Elite econômica e programa derrotado nas urnas
Entre as propostas econômicas apresentadas por Flávio estavam o corte de pelo menos dez ministérios, a revisão das regras fiscais e a retomada de privatizações, além de mudanças nas relações de trabalho que, na prática, favoreceriam apenas os empregadores. Para o filósofo, mesmo após a rejeição desse projeto nas urnas, setores econômicos tentam pressionar o governo Lula a adotar as mesmas medidas e manter integrantes ligados à sua implementação. “O sujeito quer que o governo assuma o programa econômico que foi derrotado nas urnas. Ele quer que ele assuma, inclusive, até mesmo as pessoas que implementaram esse programa”, disse.
Agronegócio e influência política e cultural
Safatle também criticou a concentração econômica e política do agronegócio, especialmente em regiões do interior de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, onde identificou uma forte presença do bolsonarismo. Para ele, romper essa hegemonia exige diversificar a atividade econômica dessas localidades e reduzir a dependência do setor. O filósofo ainda questionou o uso de recursos públicos para financiar grandes shows sertanejos, que, em sua avaliação, ajudam a disseminar valores conservadores ligados ao modelo do latifúndio. “Você não vai conseguir quebrar esse monopólio político, se não quebrar o monopólio econômico”, afirmou. Ele defendeu limites aos gastos de prefeituras com eventos e argumentou que esses recursos poderiam ser utilizados de maneira mais eficiente para movimentar a economia local.
Mobilização popular e ameaça fascista
O professor afirmou que a ocupação das ruas e das redes sociais por apoiadores de Lula representou uma reação popular diante do risco de avanço do fascismo. Para ele, a mobilização foi decisiva para o resultado eleitoral. “Quem ganhou a eleição dessa vez foi efetivamente uma emergência do poder popular no Brasil. Porque o poder popular pode aparecer também através da consciência, da urgência do perigo”, declarou. Safatle também alertou que Lula enfrentará resistência de setores do Congresso, do Senado, de governos estaduais e do poder financeiro, o que exigirá disposição para um confronto político mais intenso. “Ele vai entrar num nível de briga que ele não conheceu antes. Não é o mesmo nível do ano anterior, não é o mesmo nível do ano anterior. É um outro nível”, concluiu.
Confira o programa na íntegra:
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