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Saúde

'Vacina de Nuremberg': psicanalista diz que governantes serão julgados pela história por atos na pandemia

Christian Dunker explica 'arte da quarentena para principiantes' e lamenta negacionismo

['Vacina de Nuremberg': psicanalista diz que governantes serão julgados pela história por atos na pandemia]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 03 de Março de 2021 ⋅ 09:42


Psicanalista, escritor e professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Christian Dunker falou sobre como passar pela quarentena e diminuir os danos causados pela pandemia de coronavírus na saúde mental das pessoas. Em entrevista a Mário Kertész hoje (3), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, ele avaliou que a reclusão afetou diferentes pessoas de diferentes classes sociais e idades. Dunker é autor de o livro "A arte da quarentena para principiantes"

"Temos que considerar que as restrições de movimentação e a quarentena afetou de forma diferencial em grupos etários. Pegar alguém da terceira idade e falar que vai ficar 1 ano sem sair de casa representa um prejuízo psíquico diferente do que é para uma pessoa de 30 anos. Pessoas jovens foram seriamente restringidas nesse momento de grupalização e de saída para o mundo. Nessa hora em que a epidemia deu uma reduzida, aproveitaram para começar festas e suspender os cuidados. Agora a resposta veio", afirmou Dunker. 

Ainda segundo o psicanalista, é necessário buscar alternativas diante do isolamento. "É uma arte, não é uma tecnologia que se aplica para todo mundo exatamente igual. Cada um teria que encontrar aí o seu caminho com as suas técnicas e potencialidades, de pintura, canto ou dança. Uma ideia importante nesse trabalho é convidar as pessoas para desenvolver uma certa tolerância com relação a si, ao outro e para os efeitos psicológicos, de saúde mental, que a gente viria a ter e, de certa forma, isso se confirmou", declarou. 

Dunker ainda citou como o negacionismo foi prejudicial para o enfrentamento da pandemia no ano passado e como o cenário se repetiu neste ano. "Em vez de, desde o começo, olhar para a coisa como inimigo natural, que vem da natureza, fazia parte da estratégia de governo produzir inimigos artificiais. Tem que ser chinês, do reino do jacaré e alguma intenção malévola por trás. Aí você agrega e mantém o seu grupo unido contra um inimigo. Se você decreta que o inimigo é para todo mundo, aí você perde a coesão e adesão partidária de militância. O erro básico, do ponto de vista psíquico, é o seguinte. QUando a gente tem que fazer um sacrifício, a gente faz duas perguntas que são assim. 'Em nome de quê?' Um valor, um sentimento, uma pessoa? A gente vai se responder em nome do quê a gente vai deixar de fazer o que quer. E a outra é 'até quando?'. Pedir um sacrifício de uma semana é diferente de dois meses, um ano e diferente ainda de um sacrifício de tempo indeterminado", avaliou o especialista.

Questionado por MK, Christian Dunker citou o Tribunal de Nuremberg como um possível futuro dos governantes que foram irresponsáveis ao longo da pandemia. Logo após a Segunda Guerra Mundial, um tribunal se reuniu na Alemanha com o objetivo de julgar os crimes cometidos pelos nazistas. De acordo com o psicanalista, será uma espécie de "Vacina de Nuremberg". "Nesse ponto, nossos governantes, em vez de dizer que estão seguindo uma autoridade maior, confluente, como a ciência, as decisões dos organismos internacionais, a organização mundial da saúde e uma autoridade que vai confluindo ao mesmo ponto, que diz ao final que a lei é essa. Nossos governantes, nem todos é claro, decidiram criar o espírito do diabo e do anjo", disse. 

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