
Saúde
Entidades médicas nacionais e internacionais pedem para Anvisa a proibição total de implantes hormonais manipulados no Brasil
Os implantes não passaram por estudos clínicos que comprovem os benefícios

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Um total de 12 entidades médicas e científicas nacionais e internacionais pediu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a proibição dos implantes hormonais manipulados no Brasil, conhecidos como “chips da beleza”. Entre as organizações que assinaram o documento estão a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Internacional da Menopausa (IMS) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Segundo as entidades, os implantes não foram submetidos a estudos clínicos de qualidade capazes de comprovar benefícios para sintomas da menopausa, emagrecimento, ganho de massa muscular ou alterações na libido. O documento também questiona a segurança do uso dessas substâncias.
As organizações ainda denunciam a expansão de um modelo comercial relacionado à produção em escala dos implantes, à preparação de médicos para prescrição dos produtos, à divulgação nas redes sociais e à formação de estoques.
Também assinam o pedido a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), as sociedades brasileiras de Mastologia (SBM), Reprodução Humana (SBRH), Cardiologia (SBC), Hepatologia (SBH) e Urologia (SBU), além da Associação Brasileira de Climatério (Sobrac), da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e da Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS).
Entidades defendem debate científico
Diante da repercussão da carta divulgada por entidades médicas durante o Congresso Mundial de Menopausa, que defende a retirada de circulação dos implantes hormonais manipulados, a Sociedade Brasileira de Medicina Personalizada (SBMP) e a Sociedade Brasileira de Pesquisa e Ensino em Medicina (SOBRAPEM) divulgaram um manifesto em defesa de um debate científico plural e responsável sobre o tema.
O documento reconhece a existência de abusos e usos inadequados dos implantes e defende o fortalecimento da fiscalização, da educação médica, de critérios adequados de indicação e da produção de evidências científicas. Ao mesmo tempo, as entidades alertam que lacunas na literatura científica não devem ser confundidas automaticamente com comprovação de ineficácia ou utilizadas, isoladamente, para impedir uma prática médica.
O manifesto também chama atenção para a realidade da prática clínica, na qual existem pacientes cujas necessidades não são plenamente atendidas pelas alternativas terapêuticas convencionais disponíveis. Nesse contexto, as entidades defendem que novas pesquisas sobre eficácia e segurança dos implantes hormonais manipulados, desenvolvidas no Brasil, sejam consideradas e que o debate científico permaneça aberto à incorporação de novas evidências.
As entidades também informam que estão tomando as medidas cabíveis junto aos órgãos competentes e reforçam seu compromisso com a ciência, a responsabilidade médica e a ética na prática clínica.
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