Saúde

Coronavírus: equipes de estados e municípios relatam subnotificação gigantesca de casos

Em alguns lugares, chega-se a 1 caso informado para cada 30 ou mais episódios em que pacientes podem estar doentes sem que as ocorrências sejam reportadas em nível federal

[Coronavírus: equipes de estados e municípios relatam subnotificação gigantesca de casos]
Foto : Ryan M. Breeden/U.S. Navy

Por Metro1 no dia 02 de Abril de 2020 ⋅ 07:21

O índice de subnotificações ao Ministério da Saúde de casos suspeitos de infecção pela Covid-19 cresceu de forma assustadora, segundo relatos de equipes de atenção básica em várias cidades e estados do Brasil. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o aumento vem ocorrendo mesmo depois de o chefe da pasta da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ter solicitado no mês passado que todos os casos suspeitos, independentemente da gravidade, fossem notificados por estados e municípios.

Fontes ouvidas pela reportagem dão conta de que, nesse cenário em que o avanço da epidemia pode ser muito maior do que se tem registro, muitos hospitais do país esperam que dentro poucas semanas comecem a faltar vagas em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs).

Em alguns estados e municípios, chega-se a 1 caso informado para cada 30 ou mais episódios em que pacientes podem estar doentes sem que as ocorrências sejam reportadas em nível federal. 

Um dos problemas que começam a surgir nessa alta dos índices é a falta de kits para testes de Covid-19. As unidades relatam ainda a inexistência de uma portaria específica do Ministério da Saúde para determinar quais casos devam ser considerados confirmados ou suspeitos têm feito com que muitos doentes não entrem nas estatísticas. A informação é da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), que representa 6.000 médicos atuando em 47,7 mil equipes de atenção básica em todo o Brasil.

O déficit faz com que os médicos tenham que se guiar por notas técnicas da vigilância epidemiológica de seus municípios ou estados, que diferem umas das outras. Desse modo, não há dados nacionais homogêneos de contaminados pela Covid-19.

“O resultado é que estamos no escuro em relação ao que realmente notificar e sobre o número real de casos”, diz Denize Ornellas, diretora de Comunicação da SBMFC.

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