Saúde

Pondé comenta diferenças entre angústia e ansiedade em novo livro

Iniciado em 2019, "Você é ansioso" traz concepções sobre ansiedade e um pouco do impacto que a pandemia fez na sociedade

[Pondé comenta diferenças entre angústia e ansiedade em novo livro]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 03 de Julho de 2020 ⋅ 13:31

O escritor e filósofo Luiz Felipe Pondé comentou o processo para escrever o livro "Você é ansioso? Reflexões contra o medo", iniciado no ano passado e finalizado em meio à pandemia de coronavírus. Em entrevista a Mário Kertész hoje (3), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, ele afirmou que parte da obra foi impactada pelo isolamento social, embora os conceitos sobre ansiedade sejam mais abordados de forma técnica.

"Comecei a escrevê-lo ainda em 2019, nada a ver com pandemia. Não foi pensado para ser lançado na pandemia. Em outubro de 2019, a gente nem sabia. O prazo para entregar o livro era no final de abril. Por conta da quarentena, eu acabei o livro no começo de março. Fiz uma referência à ansiedade em pandemias na introdução. Mas o livro, claro, se eu transformasse em um livro sobre pandemia, ficaria datado. Daqui a dois anos, ninguém vai lembrar mais", comentou Pondé, que também é comentarista da Metrópole. "É um livro pensado e escrito a partir de marcadores sociais que geram a ansiedade. No fim do livro, a pandemia foi um deles. Fala de modelo familiar atual, de trabalho, pressão para o sucesso, famílias reduzidas, vínculo entre busca do sucesso e sociedade", afirmou.

Na avaliação de Pondé, o livro aborda parte das várias maneiras que a ansiedade atinge a sociedade. "O conceito de ansiedade que eu trabalho no livro é um conceito de ansiedade como afeto disparado por conta da impossibilidade de controlar as coisas. A concepção de ansiedade pode trabalhar vários conceitos. Como estou focado na sociologia da ansiedade como epidemia social, digamos assim, trabalho com a concepção que é a falta de controle das coisas. É típico do mundo contemporâneo", disse.

Questionado por Mário Kertész, o filósofo comentou a distinção entre os conceitos de angústia e ansiedade. "A angústia é algo que às vezes você não consegue identificar. É justamente porque muitos filósofos no século XIX, como Freud, entendem que nem sempre é evidente o objeto da angústia. A angústia é um afeto que, quando aparece, é uma espécie de fracasso em você saber, afinal de contas, o que você está sentindo de ruim. O objeto não fica muito claro. Para a filosofia XIX, a angústia é a própria substância da consciência", declarou Pondé. 

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