Saúde

Badaró alerta para surtos de coronavírus em Salvador: 'Queda não significa que pandemia acabou'

'Ainda vamos conviver com ele nos próximos dois ou três anos', afirma infectologista

[Badaró alerta para surtos de coronavírus em Salvador: 'Queda não significa que pandemia acabou']
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 31 de Julho de 2020 ⋅ 08:41

O médico infectologista Roberto Badaró comentou a possibilidade de surtos de coronavírus após a reabertura gradual da economia em Salvador. Na última semana, a capital baiana deu início ao protocolo de retomada com um faseamento para abrir o comércio. Em entrevista a Mário Kertész hoje (31), na Rádio Metrópole, Badaró alertou que a queda nos números não representa o fim da pandemia.

"A relação, que comentamos aqui várias vezes, do número de casos no dia anterior e o numerador de ontem. Essa relação vem ficando inferior a 1. Significa que a epidemia está caindo, desaparecendo. Chegou a 0,6 e 04, mostrando que o número de casos vem diminuindo. Não significa que a pandemia acabou, de maneira nenhuma podemos dizer isso. Significa que atingiu uma população mais susceptíveis e aquelas que não estavam fazendo as medidas de proteção, mais vulneráveis ou que acidentalmente se contaminaram dentro de suas próprias casas pela inocência em não saber que as pessoas que mais contaminam é na fase assintomática e não na fase que está gripada ou sem olfato e paladar", disse o especialista

Ainda de acordo com Badaró, é necessário que a população da capital siga mantendo o distanciamento social e que sejam respeitadas medidas higiênicas. Mesmo com um grande número de casos de Covid-19 no estado, o médico alerta que o povo soteropolitano compreenda que ainda há um risco muito grande de novos casos.

"A grande maioria vem do interior. Não significa que Salvador está livre de viver um novo surto. Tenho batido nesta tecla. É preciso que a gente faça planejamentos para a nova normalidade, que não é marcar data de abertura. É se verificar os planos de contingências dos estabelecimentos comerciais, escolas e instituições para que possam, de maneira responsável, manter esse programa de cobertura facial e distanciamento físico, que mitigue o risco de que a gente possa ter surtos isolados, que é o que está ocorrendo na China", declarou.

Durante seu comentário na Metrópole, Badaró afirmou que vai ser necessário conviver com o vírus por até três anos, mesmo com a criação de uma vacina. "Estou vendo uma euforia muito grande da atividade comercial e até de lazer de que vamos voltar como se o vírus tivesse desaparecido. Ainda vamos conviver com ele nos próximos dois ou três anos. Há uma esperança muito grande de que algumas das vacinas já estão na fase 3, que significa vacinar massas", avaliou o infectologista.

"Há uma esperança na vacina, mas não podemos negligenciar esse cuidado adquirido cientificamente de evidências de populações que usaram máscaras com eficácia diante de quem não usou a máscara", acrescentou.

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