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O choro da ministra e a exaustão de Fúria, o cão

O choro da ministra e a exaustão de Fúria, o cão

Irritado com os números das pesquisas, o presidente foi duro nas cobranças a Nísia Trindade, para dizer o mínimo. Ao ponto da ministra embargar a voz e precisar se esforçar para segurar o choro

O choro da ministra e a exaustão de Fúria, o cão

Foto: Reprodução

Por: Malu Fontes no dia 21 de março de 2024 às 00:52

Para as mulheres, as coisas nunca estão bem ou certas. Quando em cargos de poder, como ministras de Estado, por exemplo, se falam baixo, não exaltam a voz e não batem na mesa, logo são acusadas de pulso fraco, de falta da autoridade necessária para o cargo. Se são duras, rígidas nas posturas, enérgicas no tratamento dos subordinados, o leque da detração é amplo: histéricas, autoritárias, clones de Margareth Tacther, masculinas. Para ilustrar os dois casos, ambos sob governos Lula, o do passado e o do presente, que o digam Nísia Trindade, hoje à frente do Ministério da Saúde, e Dilma Rousseff, quando ministra das Minas e Energia e da Casa Civil. E, claro, também como presidente da República.

Depois de mais uma pesquisa de opinião diagnosticar a queda do percentual de brasileiros que avaliam bem o governo do presidente Lula e o crescimento do percentual de pessoas que avaliem mal, o sinal vermelho acendeu no Palácio do Planalto. Para corrigir essa rota e cobrar trabalho, “entregas”, ações pontuais e engajamento transversal de todos os ministros, o presidente convocou uma reunião em que o tom não era exatamente de aconselhamento, mas de exigências que levem à mudança de percepção da opinião pública sobre o mandato Lula três ponto zero.

Afinal, se a inflação está sob controle e se os níveis de crescimento de emprego subiram, por que a avaliação positiva do governo cai e a negativa sobe? Para a falta de sorte da ministra Nísia, cujo cargo é cobiçado por 11 entre cada 10 raposas do centrão, na véspera da reunião o programa Fantástico exibiu uma reportagem especial denunciando o caos nos hospitais federais no Rio de Janeiro. O sucateamento, o abandono e a ingerência administrativa da rede hospitalar do Rio vieram somar-se a dois problemas gigantescos do ministério: o aumento do número de crianças ianomâmis mortas já durante a gestão Lula e o avanço progressivo dos casos de dengue associados à crise gerada pela inexistência de vacina para a demanda nacional.

O farejador cansou

Irritado com os números das pesquisas, com a patinação dos ases do seu governo nas redes sociais, com baixo engajamento, o presidente foi duro nas cobranças à ministra, para dizer o mínimo. Ao ponto de Nísia embargar a voz e precisar se esforçar para segurar o choro, sendo amparada e consolada pela primeira-dama, Janja. Curiosamente, o presidente foi bem mais leve na interpelação ao novo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, cuja pasta zanza pelos sertões do Rio Grande do Norte à caça de dois fugitivos de facções do tráfico que escaparam de um presídio de segurança máxima na madrugada da Quarta-feira de Cinzas.

Até agora, apesar de centenas de policiais envolvidos e de o ministério anunciar na imprensa até o “currículo invejável” (sic) de um cão farejador, o Fúria, não houve captura. Ainda assim, há uma semana o ministro considerou a operação de buscas positiva. O argumento para essa avaliação positiva? Ah, o fato de os fugitivos provavelmente não terem conseguido sair do estado. Um dia depois da reunião de cobrança de resultados pelo presidente, também curiosamente a Polícia Militar do Rio Grande do Norte anunciava que Fúria, o cão de currículo invejável, precisava de uns dias de descanso, pois fora acometido de exaustão e fadiga muscular. É fake a notícia de que ele fora atacado por um um teiú.

O cachorro, um pastor-belga-malinois, já tem sete anos e não pode trabalhar mais de cinco dias seguidos sob o calor do sertão, precisa de repouso. No mesmo dia, o ministro Lewandowski convocou uma coletiva para anunciar notícias novas em outro front: comunicou a homologação da delação premiada do ex-policial militar Roni Lessa, executor confesso de Marielle Franco e Anderson, o motorista dela, seis anos após o crime. Um notícia tida como uma “entrega” positiva para a sua pasta. Enquanto isso, a ministra da Saúde, continua sob a espreita do centrão.