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Supremo, Lula, campanha, Moro, tudo

Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas, professora da Facom/UFBA e colaboradora da Rádio Metrópole

[Supremo, Lula, campanha, Moro, tudo]
Foto : Angeluci Figueiredo

Por Malu Fontes no dia 11 de Março de 2021 ⋅ 09:08

Diante de todas as reviravoltas vistas neste país de 2013 para cá, com picos do caos no impeachment de Dilma Rousseff, nos efeitos colaterais da Lava Jato, na falência de algumas das principais empresas brasileiras, nas prisões, em série, de presidentes a governadores e prefeitos e empresários do topo da pirâmide econômica, a polarização radical de 2018 e a tragédia humanitária e econômica geradas pela COVID, com cerca de 2.000 mortes por dia e nenhuma perspectiva de otimismo para os próximos dias, uma decisão no Supremo Tribunal Federal provocou um terremoto. Até para pontuar essa sucessão de duplos twists carpados, na introdução de um texto, dá trabalho.

Agora, sim, no cume de uma pandemia, começou para valer a campanha eleitoral para a presidência da República em outubro de 2022. Só um dado simples para se dar uma ideia da mudança de panorama e inversão das posições de personagens: Lula saiu do posto de acusado e passou essa condição para o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro, embora o antagonista maior que esse desfecho gera seja o presidente da República, Jair Bolsonaro. Bastou um ministro do STF, Edson Fachin, dar uma canetada anulando todas as condenações de Lula coordenadas por Sérgio Moro, no âmbito da Lava Jato e no contexto que ficou conhecido como a República de Curitiba, para o país pegar fogo politicamente. 

Se já houve um tema capaz de rivalizar com a pandemia durante este último ano, seja na imprensa, no cenário político ou na esfera pública brasileira, foi o significado dessa decisão no Supremo. Se a decisão de Fachin em si, e se a discussão iniciada na terça-feira, na Segunda Turma no Supremo sobre a suspeição de Sérgio Moro em seu papel de juiz, já havia feito a terra tremer em Brasília, a entrevista coletiva de Lula no dia seguinte, em seu berço político, São Bernardo do Campo, sacudiu o país inteiro. Embora não tenha falado em campanha eleitoral, ela já começou. 

BIG BROTHER BRASÍLIA - Com as ruas interditadas pela pandemia, a arena foi a das redes sociais. Figuras e figurantes de vários matizes políticos se manifestaram, do topo da República ao subsolo mais pútrido, de onde fala Roberto Jefferson, o pária sem mandato, mas com poderes no Planalto Central, que apelou às Forças Armadas contra o Supremo.   

E por falar em redes sociais, a consultoria Arquimedes, uma ferramenta da revista piauí que monitora a circulação de informações nas redes sociais, revelou 2,5 milhões de referências a Lula no Twitter nas primeiras 24 horas após a anulação das condenações por Edson Fachin. Dessas, 88% eram menções comemorativas e favoráveis, 9% eram protestos de bolsonaristas, 3,5% eram críticas de lavajatistas, além de muitos memes trolando a possibilidade de Jair Bolsonaro passar a faixa presidencial a Lula. 

Esse volume de menções superou o tópico recorde de referências diárias recentes, que era do Big Brother Brasil. No mesmo dia, o BBB teve 1,8 milhão de menções no Twitter. A contabilidade após a entrevista coletiva de Lula ainda não havia sido feita até a edição deste texto. A decisão no STF inaugura oficialmente e em outro patamar a campanha eleitoral. Um dos primeiros embates é: agora elegível, Lula vai dividir a esquerda ou vai rachar a base popular de direita de apoio à Bolsonaro, sobretudo os evangélicos? E com duas obviedades no meio: Lula não é Haddad e Bolsonaro, aconteça o que acontecer, não chegará a outubro de 2022 como era em outubro de 2018.

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