Bahia

Badaró defende discussão sobre atendimento em UPAs durante pandemia

Segundo infectologista, pacientes já estão chegando em situação grave nos centros de tratamento especializados em Covid-19

[Badaró defende discussão sobre atendimento em UPAs durante pandemia]
Foto : Matheus Simoni/Metropress

Por Matheus Simoni no dia 26 de Maio de 2020 ⋅ 08:50

O médico infectologista dr. Roberto Badaró afirmou que há uma necessidade de se discutir os protocolos de atendimento inicial em pacientes com coronavírus que buscam Unidades de Pronto Atendimento (UPA) na Bahia. Segundo o especialista, muitos doentes infectados pelo coronavírus chegam em estado grave nos centros especializados para tratamento da Covid-19.

"Tenho visto e tenho muita preocupação com o paciente que vai para UPA e sai com prescrição de dipirona. Muitas queixas de que nem olha-se para o paciente. Talvez seja necessário sentar e fazer um protocolo melhor no primeiro atendimento dessas UPAs pra mudar a realidade, que já é fato. O que tenho recebido de doentes no Espanhol é a maioria de doentes graves, necessitando de entubação. Será que ele não teria um momento anterior para fazer essas medidas?", questionou Badaró, em entrevista a Mário Kertész na manhã de hoje (26), na Rádio Metrópole.

"Acho que minha luta agora é para convencer os gestores do governo e prefeitura para intensificar as medidas e os protocolos de tratamento precoce", avaliou.

Ainda segundo Badaró, boa parte dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Espanhol, centro de saúde destinado exclusivamente à Covid-19, está ocupada. "Chegamos quase à totalidade dos leitos de UTI. Estamos mantendo uma taxa de ocupação entre 70 e 80%, dependendo da velocidade de alta. Os protocolos de atendimento estão sendo organizados com o treinamento dos médicos. É tudo muito novo e muitas vezes as pessoas não têm o hábito de lidar com isso. Todos nós estamos aprendendo. Às vezes as coisas não vai como desejaríamos", declarou o infectologista. 

Sobre a retomada da chamada normalidade, o médico demonstrou estar cético sobre os protocolos de reabertura do comércio e de escolas, por exemplo. "Existe um programa de Miami mostrando como fazer a retomada cientificamente. Mas são coisas que fazem a gente pensar. Prefiro me manter conservador e recomendando aquilo que já falamos. É preciso acabar com uma medida até ver os efeitos dela. Estamos no pico da epidemia agora. Brasil já o segundo no número de casos no mundo, sexto no número de mortes e isso mora que a pandemia já chegou no ápice no mundo. Em San Diego, já se faz uma reabertura planejada. Estou vendo muita coisa que tem sido consolidada, como por exemplo que a hidroxicloroquina não ajuda no tratamento do coronavírus", afirmou.

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