
Brasil
Governo lança ofensiva de R$ 209 milhões contra facções e crimes ambientais na Amazônia
Programa federal mira narcotráfico, garimpo ilegal e milícias ambientais com ações policiais e projetos sociais em áreas vulneráveis

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O avanço das facções criminosas, do narcotráfico e dos crimes ambientais passou a ser alvo de uma nova ofensiva do Governo Federal. O Ministério da Justiça e Segurança Pública lançou o programa Território Seguro, Amazônia Soberana, que prevê investimento de R$ 209 milhões para combater organizações criminosas e enfraquecer suas estruturas financeiras e territoriais.
A iniciativa integra o macroprograma Brasil Contra o Crime Organizado e complementa o programa Amazônia: Segurança e Soberania (AMAS). Assinado pelo ministro Wellington César Lima e Silva, o plano aposta em uma atuação conjunta entre repressão policial e políticas sociais para reduzir o poder de influência das quadrilhas em comunidades vulneráveis.
Além de reforçar o policiamento em áreas urbanas, rurais e fluviais, a estratégia amplia o monitoramento para fora da Amazônia Legal, buscando interromper rotas logísticas e financeiras utilizadas pelo crime organizado em outras regiões do país.
A maior parte dos recursos será destinada a ações sociais. Segundo o governo, R$ 85,9 milhões serão aplicados em programas de prevenção, assistência e garantia de direitos básicos para populações vulneráveis. A ideia é reduzir o aliciamento de jovens e famílias por facções criminosas.
Outros R$ 69,1 milhões serão usados em operações policiais e retomada de áreas dominadas por grupos criminosos. Já R$ 47 milhões irão para projetos de reinserção social, incentivo à sociobioeconomia e fortalecimento do cooperativismo regional. O setor de inteligência e tecnologia receberá R$ 7 milhões para reforçar o trabalho analítico das forças de segurança.
Nesta primeira etapa, o programa atuará em 42 municípios considerados prioritários, distribuídos em sete macrorregiões nos estados do Amazonas, Acre, Pará, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná. A inclusão de estados fora da Amazônia indica que o governo pretende tratar o tráfico de drogas e os crimes ambientais como parte de uma mesma rede criminosa.
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que mais de 622 mil pessoas vivem atualmente sob ameaça direta de facções e milícias ambientais em territórios vulneráveis. O levantamento também mostra que 796 Terras Indígenas sofrem influência do ecossistema criminoso.
Somente em 2024, foram registrados 1.241 episódios de violência ligados a disputas territoriais e ao menos 230 invasões para exploração ilegal de recursos naturais em áreas protegidas, afetando principalmente povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pequenos agricultores.
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