
Brasil
Lula critica classificação dos EUA e rejeita interferência no combate ao crime no Brasil
Presidente defende soberania nacional e afirma que combate ao crime deve ocorrer dentro do Brasil

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira (29) manifestações de autoridades dos Estados Unidos sobre a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), em Laranjeiras, Lula afirmou que grupos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) são terroristas para a sociedade brasileira, mas rejeitou qualquer possibilidade de interferência estrangeira.
“Comando Vermelho e PCC são terroristas, mas para as comunidades brasileiras. Para a sociedade brasileira e para o povo da periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. São terroristas e vamos combatê-los aqui dentro”, declarou o presidente.
Lula afirmou estar “muito triste” com a classificação feita pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e ressaltou que o Brasil já possui leis para combater facções e o crime organizado.
O presidente também afirmou que as organizações criminosas brasileiras não possuem o perfil de terrorismo normalmente associado pelos Estados Unidos, citando Osama Bin Laden como exemplo. Além disso, apontou que grande parte das armas usadas pelo crime organizado no Brasil tem origem norte-americana.
Na sequência, Lula cobrou respeito das autoridades estadunidenses. “Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Isso aqui não é um país qualquer. É um país muito grande”, afirmou.
Durante o discurso, o presidente demonstrou preocupação com o interesse internacional nas riquezas naturais brasileiras, mencionando minerais críticos, terras raras, ouro, diamantes, água doce e a Amazônia. “Daqui a pouco vão dizer que a Amazônia é deles. Não é”, declarou.
Lula também relembrou conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que os dois países precisam defender o respeito à democracia, ao multilateralismo e à integridade territorial das nações.
“Eu não falo grosso com a Bolívia e fino com os EUA. Eu falo educadamente com os dois porque eu quero respeito”, disse.
O presidente reiterou que o Brasil vem ampliando ações de combate ao crime organizado e afirmou que a aprovação da PEC da Segurança Pública deve fortalecer esse enfrentamento.
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