Editorial

'Ninguém pode se dizer enganado por Bolsonaro', diz MK; ouça

Em comentário na Rádio Metrópole, Mário Kertész ainda falou sobre o apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao jornalista Glenn Greenwald

['Ninguém pode se dizer enganado por Bolsonaro', diz MK; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 31 de Julho de 2019 ⋅ 08:43

A entrevista do presidente Jair Bolsonaro ao jornal O Globo foi o principal tema do comentário de Mário Kertész, hoje (31), na Rádio Metrópole. MK considerou "positiva" a atitude do chefe do Executivo nacional ao dizer que "não vai mudar" em relação às declarações polêmicas e que não se preocupa com uma possível reeleição.

"Ninguém pode dizer que o presidente Bolsonaro, ao se candidatar, e o povo, ao votar nele, ele enganou qualquer pessoa. Ele não saiu dizendo que era bonzinho, que era assim, assado, que ia fazer tudo pra agradar todo mundo. Nada, nada, nada. Ninguém pode se dizer enganado por Jair Messias Bolsonaro, de jeito nenhum. E ele chegou na presidência, isso não está o abalando, nem fazendo com que ele fique diferente, conveniente. Perde alguns pontos, ganha outros, consolida a base dele, e vamos para a frente", disse.

Kertész voltou a afirmar que Bolsonaro foi eleito por representar uma parcela significativa dos brasileiros, que segue uma linha de pensamento conservadora. Para MK, o atual momento faz parte de um novo ciclo da História. "Se você olhar do ponto de vista histórico, essa coisa se repete por ciclos. Tem ciclos onde há um certo avanço, certo 'iluminismo', e momentos em que há uma volta ao passado, uma coisa conservadora, atrasada, mas que tem muita gente que se sente feliz assim. Se ele conseguir melhorar significativamente a economia brasileira, tem toda a chance de ser reeleito. Veja o caso de Donald Trump: ninguém acreditava na eleição dele. (...) Então, quando eu vejo o presidente Bolsonaro falar essas coisas todas, é a mesma coisa de Donald Trump, que tá arriscado a ser reeleito por várias razões. Porque a economia nos EUA está indo bem e ele não tem nenhum adversário de peso. Aqui no Brasil é a mesma coisa", analisou.

Na avaliação de MK, não há um candidato de oposição com expressão nacional no campo da esquerda. O adversário mais forte de Bolsonaro na disputa presidencial de 2022 seria o governador de São Paulo, João Doria. "Eu até achei positivo quando ele foi contra essa declaração do presidente em relação ao pai do presidente da OAB. Pra quê? Pra marcar território, ele diz 'eu sou do mesmo lado de Bolsonaro, conservador, mas sou mais operacional, sou empresário, boto as coisas para acontecer e tenho limites'. Para ele o marketing é fundamental, então ele fala o que é conveniente, usa as redes sociais de forma totalmente diferente. Ele jamais apareceria cortando o cabelo em uma transmissão ao vivo", declarou.

Ainda segundo Kertész, a manifestação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a favor do jornalista Glenn Greenwald, foi "positiva". No entanto, ele observa que o Poder Judiciário está "silencioso" em relação a tudo que acontece. "Acho que é extremamente positivo o presidente da Câmara ter uma posição firme, assim como o presidente do Senado está tendo. Isso ajuda a dar um certo equilíbrio, já que da parte do STF infelizmente a gente não está vendo isso. O ministro Marco Aurélio Mello disse que 'devia botar uma mordaça no presidente', exagero. Achei de um nível muito rasteiro para um ministro do STF sugerir uma coisa que não tem o menor fundamento. Ele é um animal pra você botar uma mordaça nele? Agora, seriamente, as instituições jurídicas estão abaladas, a gente não pode deixar de enxergar. Quando você vê, por exemplo, isso tudo que está acontecendo, você não vê ninguém do Judiciário abrir a boca pra falar", comentou.

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