Editorial

'Não acredito na sanidade mental desse cidadão', diz MK sobre Janot; ouça

Em comentário na Rádio Metrópole, Kertész também criticou a "modulação" na decisão do STF que pode afetar condenados na Lava Jato: "Existe meia lei?"

['Não acredito na sanidade mental desse cidadão', diz MK sobre Janot; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 30 de Setembro de 2019 ⋅ 08:56

A revelação do plano do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que pretendia matar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e suicidar-se em seguida, foi um dos assuntos do comentário de Mário Kertész, hoje (30), na Rádio Metrópole. MK repudiou a intenção do ex-PGR e disse ter dúvidas quanto à sanidade mental dele.

"É uma coisa que eu nunca ouvi falar em lugar nenhum do mundo, não só ele ter pensado como ter decidido fazer e ter declarado assim, não sei se com orgulho ou o que foi. Eu não consigo entender como é que durante tanto tempo ele  foi uma das principais autoridades do país, indo atrás de corruptos e corruptores, se julgando uma pessoa acima de tudo, do bem e do mal. Defender os filhos é normal, é natural, mas a ponto de querer criar um crime estúpido e com repercussões terríveis... Ele disse que foi uma mão que segurou ele. Sinceramente, eu não acredito nem um pouco na sanidade mental desse cidadão, que durante tanto tempo era o juiz-mor do país. Era o sujeito que julgava todo mundo, que perseguia quem ele achava que deveria ser perseguido, sabe-se lá em quantas histórias ele se meteu", disse.

Outro tema abordado por Kertész foi a decisão, aprovada pela maioria do STF, de que réus não delatores precisam se manifestar por último em ações penais, o que pode afetar diversos condenados pela Operação Lava Jato. O presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, deverá propor uma "modulação" no texto para que nem todos os réus tenham a condenação anulada. MK considerou a medida como uma expressão do "jeitinho brasileiro". "É aquela história, existe meia virgindade? Existe meia lei, certa ou errada, é assim? 'Não, peraí, ela tá errada, mas vamos modular'. Modular é uma palavra hipócrita, mentirosa, no sentido de mostrar o quê? 'Não, vamos dar um jeito, nem todo mundo vai se beneficiar disso não'. Aquele jeitinho brasileiro que é uma coisa realmente nojenta. E os casos que já foram decididos não seriam beneficiados. Por quê? Não sei", comentou.

MK também citou a entrevista do vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, João Leão, ao programa Seis em Ponto, e avaliou que o político fala da ponte Salvador-Itaparica como se fosse a "Maravilha Curativa do Dr. Humphreys". "Essas coisas grandiloquentes, 'ah, porque vai resolver tudo', tomara que resolva, tomara que a ponte saia, se for pra sair. Mas essa conversa de colocar como a grande solução, porque vai aumentar a receita do Baixo Sul, do sul baixo, debaixo do sovaco, do baixo de não sei de onde... Confesso a vocês que na minha idade eu já não tenho mais essa paciência toda pra ficar ouvindo conversa mole pra boi dormir", ironizou.

Ouça o comentário completo:

Notícias relacionadas