Editorial

MK exalta vida e obra de Eliana Kertész: 'Nunca abriu mão dos princípios'; ouça

Ao falar sobre a abertura da exposição "Fartura e Abundância", Mário Kertész teceu elogios à ex-companheira, com quem foi casado por 18 anos

[MK exalta vida e obra de Eliana Kertész: 'Nunca abriu mão dos princípios'; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 18 de Dezembro de 2019 ⋅ 08:42

A abertura da exposição "Fartura e Abundância", que revisita a vida e a obra da artista plástica e ex-vereadora Eliana Kertész (1945 - 2017), foi o assunto do comentário de Mário Kertész, hoje (18), na Rádio Metrópole. MK teceu elogios a Eliana, com quem foi casado por 18 anos e manteve a amizade após o fim da relação.

"Nos conhecemos há exatamente 56 anos, nos corredores da Escola de Administração da Ufba. Lá estudamos, nos formamos, nos tornamos grandes amigos. Eu era casado com Alzira, meu filho Sérgio já era nascido, Eliana era noiva... E logo fizemos uma enorme amizade, ao longo de toda a faculdade, sem nenhum tipo de outro sentimento entre nós dois. Fomos grandes amigos mesmo. E Eliana sempre foi uma pessoa muito inquieta, ela dava um enorme valor à liberdade. Ela não aceitava os parâmetros impostos pela sociedade. Era uma libertária, mesmo vinda de uma família conservadora. Cultíssima, adorava ler, lia em grande quantidade, adorava conversar. (...) Eliana formou-se em Administração. Eu fui trabalhar primeiro no Estado, depois fui pra prefeitura e ela foi também. E daí começou a acontecer um caso de amor entre nós dois. Complicadíssimo, porque eu era casado, ela era noiva, naquela época não havia divórcio, eu tinha um filho pequeno de um ano de idade, Sérgio, que evidentemente sofreu com a separação, mas acabou se tornando um querido de Eliana. Depois de peripécias, idas e vindas, acabamos nos casando", contou.

Além de exaltar as qualidades profissionais e pessoais de Eliana, MK também lembrou que a artista é até hoje a vereadora mais votada do país. Em 1982, ela obteve 94 mil votos, o equivalente a 17,3% dos votos válidos. "Desempenhou a vida com ardor, vontade e capacidade de luta. Nunca abriu mão dos seus princípios, nem da sua liberdade", ressaltou, citando também a passagem de Eliana pela secretaria de Educação e Cultura, elogiada por aliados e adversários políticos.

MK ainda falou sobre o início da carreira artística de Eliana, em meio à dor da separação do casal, e frisou que os dois mantiveram a amizade mesmo após o fim. "Depois, nosso casamento acabou. Nos separamos, continuamos amigos até o último dia da vida dela. Eu estava lá ao lado dela, com nossos filhos, no leito de morte. E ela sabia que eu estava lá, quando ainda estava consciente. Ela foi uma companheira fantástica. Em momentos de grande fraqueza minha, era Eliana quem me dava força, mesmo quando ferida por mim. Eu reconheço isso. (...) Em março já vai fazer três anos que ela morreu. E foi o único momento da vida em que Eliana me traiu. Porque eu tinha um acordo com ela, de que eu ia morrer antes dela. Quando ela ficou doente, eu brincava com ela, dizia 'você tá querendo furar a fila?'. Ela furou a fila, infelizmente. Ela estaria colaborando muito mais com o mundo se estivesse viva e eu tivesse ido", disse, emocionado.

A exposição "Fartura e Abundância" tem curadoria de Gringo Cardia e pode ser visitada no Palacete das Artes, em Salvador, a partir de hoje (18), com entrada gratuita. A mostra fica aberta até o dia 29 de março, aniversário da capital baiana.

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