Editorial

MK diz que gestão da Secom de Bolsonaro é 'absolutamente antiética'; ouça

Em comentário na Rádio Metrópole, Mário Kertész afirmou que privilégios a emissoras de TV simpáticas ao presidente "fragilizam a democracia"

[MK diz que gestão da Secom de Bolsonaro é 'absolutamente antiética'; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 28 de Janeiro de 2020 ⋅ 08:22

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (28), Mário Kertész citou a denúncia do Ministério Público Federal contra o secretário de Comunicação Social da Presidência da República, Fábio Wajngarten, por corrupção e peculato (leia mais). MK repudiou o uso político das verbas de comunicação do governo federal e lembrou que a Metrópole já sofreu "boicote" de governos estaduais.

"Veja só, a gente vive, supostamente, numa democracia. Então, o governo federal, como o estadual e o municipal, precisa divulgar coisas. Aí ele divulga nas emissoras que lhe são favoráveis. Eu não tô defendendo a Globo porque não tenho nenhum interesse, nem sou admirador da Globo como meio de comunicação política. Mas todo mundo sabe que a Globo tem o dobro e o triplo de audiência de outras emissoras em alguns casos. Aí, porque o presidente se dá muito bem com a Record e com o SBT, se dá bem com a Band, então tome-lhe grana pra eles e a Globo pega um pouquinho. No final eles acabam se prejudicando porque a comunicação deles vai chegar a menos pessoas. Mas é uma forma absolutamente antiética do governo agir assim. E eu falo por experiência própria porque nós aqui na Metrópole já sofremos boicote dos governos carlistas, inclusive meu amigo Cesar Borges... E o próprio Jaques Wagner (PT), com o secretário de Comunicação dele. Mas isso é um absurdo. Agora esse cidadão que comanda esse orçamento milionário tem uma empresa que presta assessoria à Record, ao SBT e à Band. (...) É como se os governos fossem proprietários, quer dizer, o presidente da República, o governador, o prefeito, usam o orçamento público de acordo com a sua vontade pessoal. Tá errado! E a gente assiste, a maioria da população não se toca, não liga pra isso. É uma coisa que fragiliza a democracia", criticou.

MK ainda falou sobre como o surto de coronavírus na China influencia a economia e resgatou o conceito de "aldeia global", proposto pelo filósofo canadense Marshall McLuhan nos anos 1960. "O dólar disparou o máximo em quase dois meses com os temores vindos do coronavírus na China. Como é que está hoje o mundo, a aldeia global que Marshall McLuhan falou. Ninguém entendia o que seria. Aldeia global é isso: o sujeito solta um pum na China e a gente sente o cheiro aqui", disse.

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