Editorial

MK relata situações vividas sob a ditadura militar e o golpe de 1964; ouça

"Havia um infiltrado no meio dos estudantes [de Administração]. Fizemos uma assembleia para denunciá-lo como espião", contou, em comentário na Rádio Metrópole

[MK relata situações vividas sob a ditadura militar e o golpe de 1964; ouça]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 31 de Março de 2020 ⋅ 08:31

Na manhã de hoje (31), o comentário de Mário Kertész na Rádio Metrópole foi quase completamente dedicado à lembrança do golpe militar ocorrido há 56 anos, em 31 de março de 1964. MK recordou a própria vivência da ocasião e contou um pouco do que aconteceu nos dias seguintes. À época, ele tinha 20 anos e estudava Administração na Universidade Federal da Bahia (Ufba).

"As primeiras notícias que chegaram no dia 31 de março foram muito cheias de dúvidas e indicavam que esse movimento poderia parar, que as tropas poderiam ser contidas por tropas leais ao presidente João Goulart. (...) Havia a ideia também de que a população iria resistir, não iria querer, que as organizações sindicais e de esquerda tinham força suficiente para barrar e o golpe não iria pra frente. Mas o golpe foi muito bem articulado. (...) Nos dias seguintes, nós todos em minha casa ficávamos às noites acompanhando o noticiário e vendo o que estava acontecendo. Foi decretado toque de recolher, então ninguém podia sair de noite, a gente só via os carros da polícia e do exército circulando pela cidade. (...) Na Escola de Administração, uma série de coisas foi acontecendo. O Diretório Acadêmico foi dissolvido. Havia um infiltrado no meio dos estudantes, Paulo Prudêncio Soares Brandão. Fizemos uma assembleia para denunciá-lo como espião, e foi uma assembleia acirradíssima, quase sai briga. (...) O que aconteceu foi que ele sumiu, nunca mais apareceu. Nos dias seguintes eu fiquei escondido porque tinha sido o pivô e me exposto bastante na realização dessa assembleia", relatou.

MK ainda falou sobre o que aconteceu nos anos seguintes, quando, após se formar em Administração, ele foi convidado a trabalhar com o então governador Antônio Carlos Magalhães, ainda durante a ditadura. "Muita gente diz assim, 'ah, você não pode falar disso porque você trabalhou no governo ditatorial'. Trabalhei sim! Trabalhei, e procurei fazer o melhor, o melhor possível do meu trabalho. E protegi, inclusive, com o apoio de ACM, muitos comunistas na Secretaria do Planejamento, Ciência e Tecnologia, porque senão eles ficariam sem empregos, e eram pessoas extremamente competentes. ACM dizia 'Mário, você comanda os meus comunistas'", contou.

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