Editorial

Bolsonaro incita 'convulsão social' para instaurar regime autoritário, diz MK; ouça

"O que é melhor para instituir um regime de força do que o povo na rua se estapeando, brigando, roubando, entrando em lojas, quebrando tudo?", questionou, em comentário na Rádio Metrópole

[Bolsonaro incita 'convulsão social' para instaurar regime autoritário, diz MK; ouça]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 15 de Maio de 2020 ⋅ 08:47

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (15), Mário Kertész voltou a alertar sobre o risco iminente de instauração de um regime autoritário no Brasil, diante das investidas do governo do presidente Jair Bolsonaro contra a democracia. Para MK, Bolsonaro usa o cenário da pandemia de coronavírus para forçar uma "convulsão social".

"Eu acho que a situação está caminhando cada vez mais para o endurecimento do regime. Não adianta esses discursos, democracia, temos que obedecer a Constituição, não. (...) Você acha que os militares que hoje estão no poder ao lado do capitão Bolsonaro, do presidente da República, não estão tomando gosto pelo poder? Será que eles não estão achando que essa pandemia está fugindo de controle? Quando o presidente da República diz pros empresários 'pressionem os governadores', quando numa reunião o ministro da "deseducação" [Abraham Weintraub] diz que deveriam prender todos os ministros do STF, e a ministra [dos Direitos Humanos] Damares [Alves] diz que deviam prender todos os prefeitos e governadores, o que é isso, me explique. Tá certo isso? É legal isso? É democrático? Como é que prende governador? Só se estabelecer uma ditadura. E eu acho que é nesse caminho que a gente está indo. (...) Na medida em que o presidente da República e alguns dos seus liderados incitam a volta ao funcionamento normal do país para evitar desemprego, fome, morte e saques, eles estão incitando uma convulsão social. E o que é melhor para instituir um regime de força do que o povo na rua se estapeando, brigando, roubando, entrando em lojas, quebrando tudo? Ao invés de buscar dar a esse povo as condições mínimas para sobreviverem, eles preferem incitar todo mundo pra rua, ou então dizer que vai morrer todo mundo de fome", analisou.

MK comparou o atual momento histórico do Brasil com a situação do Chile no início dos anos 1970, antes do golpe de Estado de Augusto Pinochet. "Salvador Allende, socialista, começou a ser combatido duramente pela direita, fomentado pelos Estados Unidos, porque vivíamos na época a Guerra Fria entre EUA e União Soviética. (...) Me lembro da discussão que havia lá, havia muitos brasileiros na época, muitos deles já foragidos do regime militar brasileiro. Nas rodas, se discutia 'será que vai haver um golpe militar aqui?', e os chilenos diziam 'não há a menor hipótese disso'. Mas por quê? Porque as Forças Armadas chilenas sempre foram constitucionalistas, obedeceram o poder civil, defenderam a Constituição. Nunca houve um golpe de Estado no Chile. pois é. Augusto Pinochet, que se não me engano era chefe do Estado Maior ou tinha um cargo importantíssimo nas Forças Armadas chilenas, no dia 11 de setembro de 1973, deu o golpe de Estado, o presidente suicidou-se, houve mortes, muitas mortes, terror espalhado no Chile, e instalou-se a ditadura que supostamente trouxe a prosperidade", recordou.

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