Editorial

'Estamos assistindo a História ao vivo', diz MK sobre protestos nos EUA

Em comentário na Rádio Metrópole, Mário Kertész também ironizou a liberação de cargos para o Centrão no governo de Jair Bolsonaro: "Agora não venha mais com conversa de política nova"

['Estamos assistindo a História ao vivo', diz MK sobre protestos nos EUA]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 02 de Junho de 2020 ⋅ 08:39

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (2), Mário Kertész classificou como "fantástico" o movimento antirracista organizado após a morte do ex-segurança negro George Floyd, nos Estados Unidos, durante uma abordagem policial. Desde que Floyd foi asfixiado por um agente de segurança, na última terça (26), milhares de pessoas estão indo às ruas para protestar contra a violência policial e o racismo estrutural no país. Para MK, situações como esta mostram que "a gente está assistindo a História ao vivo".

"O povo não quer conversa. O movimento é grande, expressivo, verdadeiro, democrático, e eu vi uma coisa impressionante, muitos policiais que foram pra reprimir aderiram ao movimento. (...) Lembrei de quando os policiais passaram a apoiar Napoleão. Quando vi policiais ajoelharem-se, abraçarem-se, dizerem 'aqui é minha casa também, nós somos povo'... Fantástico esse movimento, que não é um movimento de violência. Sempre tem marginal que entra na violência, os black blocs, como vimos aqui em 2013. Mas é um movimento firme, pela liberdade, pela igualdade, pra acabar aquele racismo americano que é terrível. O nosso, aqui, é mais disfarçado, mas é violento, é violento na hora que você joga nossos negros para a periferia, pra ganhar mal, não ter saúde e educação decentes, não ter acesso aos cargos importantes. Isso tudo mostra à gente que o mundo está mudando. E como disse uma figura pra mim: não é fácil assistir a História ao vivo. E é verdade, a gente está assistindo a História ao vivo", analisou.

MK ainda criticou a liberação progressiva de cargos no governo de Jair Bolsonaro para o bloco partidário conhecido como Centrão, formado por legendas que têm condenados por corrupção entre seus filiados. "Aqui no Brasil a gente vê o governo Bolsonaro tentando se segurar de qualquer jeito contra um impeachment. O Centrão está fazendo gols assim à vontade. Já levou o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que tem mais de R$ 200 bilhões de verbas, tá levando o Banco do Nordeste. E o general Augusto Heleno vai cantar o quê agora? (...) Aí sim o presidente enganou quem votou nele. Eu sempre disse que ninguém que votou no presidente pode se queixar de ter sido enganado, porque ele sempre disse tudo que pensa e mais alguma coisa. Mas ele disse que não ia ter toma lá dá cá, que não ia ter Centrão... Tudo tá sendo feito. Política velhíssima. Apertou o medo de sair por conta de todo o desastre econômico, da forma de tratar a pandemia, tá lá, se livrou. Agora não venha mais com conversa de política nova", afirmou.

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